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Um olhar em redor

Numa visão pessoal sobre o que é ser português, Eduardo Lourenço escreveu um dia: “Com Caeiro fingimos que somos eternos, com Campos regressamos dos impossíveis sons imperiais para a ventura labiríntica do quotidiano moderno, com Reis encolhemos os ombros diante do destino, compreendemos que o fado não é uma canção triste mas a tristeza feita verbo e com mensagem sonhamos uma pátria de sonho para redimir a verdadeira”. Apoiando-me nestas afirmações desse grande vulto da nossa literatura que, para o efeito, efectua algumas referências aos heterónimos de Fernando Pessoa (Caeiro, Campos e Reis), tenho a minha própria visão do que é ser Português.

Joaquim Serafim Rodrigues
28 Set 2013

Assim, o meu orgulho baseia-se não em factos negativos (todas as pátrias os têm) mas noutros muito concretos que passo a expor: foi aqui nesta terra tão amada que nasci e onde nasceram igualmente os meus pais, avós e demais antepassados; aqui brinquei em criança, cresci e aprendi as primeiras letras, as quais fazem parte desta nossa maravilhosa língua, pois dela já dizia o poeta Olavo Bilac: “Última flor do Lácio, inculta e bela/És a um tempo esplendor e sepultura”. E terminava assim: “Em que da voz materna ouvi “meu filho”!/E em que Camões chorou, no exílio amargo/O génio sem ventura e o amor sem brilho”.
Não posso esquecer também a nossa História, pois os feitos levados a cabo pelos nossos heróicos navegadores, sobretudo na época de quinhentos, Vasco da Gama, Pedro Alvares Cabral, D. Francisco de Almeida e tantos outros que “deram novos mundos ao Mundo”, isto sem esquecer Camões, o qual, ao escrever os Lusíadas se elevou ao nível de um Dante e outros.
Refiro aqui, uma curiosidade algo significativa: Gunther Prien, comandante do submarino alemão que ousou atacar durante a Segunda Guerra Mundial a esquadra inglesa no porto de Scapa Flow, tinha na sua cabine um retrato de Vasco da Gama…
Dispõe também, este meu idolatrado País, de um clima maravilhoso que faz atrair todos os anos imensos turistas estrangeiros; possui belas paisagens, muito sol, praias aprazíveis, costumes populares únicos no Mundo, traduzidos quer em festas populares quer religiosas, com seus ranchos e vestimentas vistosas, sobressaindo os do Minho, causando admiração àqueles que nos visitam o facto de as lavradeiras desses ranchos dançarem o Vira, por exemplo, sem que as chinelas lhes caiam dos pés, visto nada terem a prendê-las!
Poderia alongar-me muito mais quanto ao facto de me orgulhar, conforme já disse, da minha Pátria. Mas vou aludir ainda ao fado: somos, todos nós, emotivos como poucos, sofredores, nostálgicos, generosos e apaixonados. Talvez por isso, o fado (já elevado a património imaterial da Humanidade), seja aquela cantiga, ou canção, que melhor espelha e traduz aquilo que nos vai na alma.
Quem leu os clássicos, sabe que se temos uma só boca e dois ouvidos, é porque devemos ouvir o dobro daquilo que falamos. Mas eu direi mais: se assim é, então fomos deste modo dotados para melhor podermos ouvir, em religioso silêncio, um Fado cantado por Amália!




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