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A lei da moralidade (II)

As normas da moral são instruções para fazer trabalhar a máquina humana, mas nunca para prejudicar o próximo. Todos somos devedores das instituições religiosas, das organizações sociais de solidariedade e de formação humana e de muitas pessoas que elevam o nível moral da humanidade. A verdadeira essência de um homem ou a força motriz mais potente da sua vida é a qualidade moral do seu ser. Esta força deve ser sempre o grande motor que impulsiona toda a sua atividade. Os povos modernos perderam as suas linhas de navegação, andando à deriva num mar de imoralidade, de invejas, de explorações humanas, de desavenças e de sensualidade dominantes que ameaçam a própria sobrevivência humana.

Artur Gonçalves Fernandes
28 Set 2013

A conduta é a força que fundamentalmente governa o mundo, seja moral, seja imoral. Se for moral, ainda pode haver esperança para o mundo que aí vem; se for predominantemente imoral e se não se arrepiar caminho, corre-se o risco de se enveredar para a destruição de tudo aquilo que de bom se conseguiu ao longo dos tempos. As paixões podem ser vícios ou virtudes na sua máxima força. Para as canalizar na via de uma conduta correta, temos de dominar ou sublimar os nossos hábitos e vigiar todos os pormenores da nossa vida quotidiana. A felicidade consiste no controlo das paixões e não na sua ausência. Caso contrário, seríamos anjos ou simplesmente eunucos. Se o código de valores por nós seguido for um código de honra e de dignidade humana, atingiremos a autêntica felicidade; se o código de conduta estiver eivado de vaidade, ufania, prepotência, orgulho e de ganância, caminharemos para a nossa desgraça e perdição. O homem tem uma dimensão espiritual que lhe dá o poder de se desdobrar e encontrar o divino e comunicar com Ele. O intelecto fala-nos de Deus; os nossos poderes espirituais encontram-nO. Não há nenhuma forma de civilização que se possa comparar com a cristã, quando corretamente interpretada e devidamente aplicada. A humanidade atinge, então, o máximo em qualidades indefiníveis e agradáveis; os lares são pacíficos e felizes; há o maior respeito pelos direitos humanos. Quando uma comunidade é orientada pela dimensão moral adequada, todas as formas do mal são vencíveis. A razão de haver tanto roubo, tanta violência e tanto crime é o facto de o homem ter negligenciado a sua dimensão espiritual. A melhor recompensa que a vida nos pode dar por sermos honestos é a tranquilidade de consciência. Não há sucesso sem honra, nem felicidade sem uma consciência tranquila.
Um dos grandes dilemas do homem é ser emocional ao mesmo tempo que é racional. O comportamento do homem é muito influenciado pelos seus impulsos, pelas suas emoções e pelos seus instintos. O segredo está em saber controlá-los ou sublimá-los. A história do homem está indelevelmente escrita no seu semblante; a sua face adquire as marcas do seu caráter interior. O homem mau é escravo do pior dos seus senhores – as suas paixões descontroladas. Ser honesto é ser livre; o vício é a verdadeira escravidão. A vida é uma luta constante contra as forças do mal. Marco Aurélio costumava dizer a si mesmo todas as manhãs: “Prepara-te, minha alma, para encontrares hoje o mentiroso, o batoteiro, o ladrão.” A maioria das grandes civilizações e impérios caíram e foram destronados, não tanto por terem sido atacados por invasões vindas do exterior, mas por causas internas, ou seja, por se terem deixado corromper moralmente, deixando de ter valores nacionais para defender. A grande ameaça para o verdadeiro desenvolvimento dos povos e da justiça distributiva está na desmoralização geral dos costumes humanos.




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