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Incendiários… fora de época

O Governo decreta todos os anos a época de incêndios que habitualmente se inicia em junho e termina em finais de setembro. A deste ano, prestes a terminar, foi particularmente difícil não só pelas consequências nefastas ao nível dos crimes ambientais cometidos, mas principalmente pelas vidas que se perderam em número deveras assustador. Agora, com o aparecimento dos primeiros chuviscos, é tempo de limpar matas e lágrimas e tentar seguir em frente, que mais não seja, em honra e memória dos que deram a vida nos combates.

Carlos Mangas
27 Set 2013

No entanto, no desporto, que se quer veículo de promoção de hábitos saudáveis, há agentes futebolísticos que não respeitando nada nem ninguém, por pensarem que tudo podem e a tudo têm direito, decidiram no passado fim de semana iniciar uma nova “época de incêndios”. E esta, ao que parece, para durar até meados de maio de 2014. Dirigentes e treinadores, nas bancadas e nos campos, mostram o que de pior o desporto pode ter, quando à saudável competição se sobrepõem fortes interesses económicos e/ou razões que a razão desconhece. Responsáveis dos crónicos e habituais candidatos ao título, cada um à sua maneira deram (maus) exemplos ao País e à juventude que os idolatra, de como não se deve estar num recinto desportivo.
Deixando as picardias entre dirigentes de parte, pois, após a divulgação dos factos, facilmente se percebe que o caso ocorrido entre dirigentes (FCP e AFL) tem um passado nebuloso, as atitudes de dois treinadores, deixaram muito a desejar.
O treinador do FCP esteve muito mal ao atribuir a Jesus méritos que de todo ele não tem, tentando justificar dessa forma um resultado que se adivinhava mais dia, menos dia, pela intermitência das exibições dos seus comandados. Não vi o jogo, mas pelo resumo, penso que não foi pelo árbitro que o FCP não venceu, até porque, após o penálti “cri(tic)ado”, voltou a estar a vencer, deixando-se empatar novamente, perto do final. A acrescentar a isto, um clube que já usufruiu muitas vezes da benesse e concordância dos adversários, de jogar “fora de horas” em face da importância dos jogos europeus em que habitualmente está envolvido, entendo que também foi muito pouco ético não ter acedido a adiar este jogo, 24 horas.
Em Guimarães, o treinador do SLB esqueceu que vive num estado de direito, em que cada cidadão tem de saber respeitar os agentes de autoridade, principalmente quando eles no estrito cumprimento das suas obrigações entendem deter adeptos que invadiram um recinto de jogo. Num país de brandos costumes como o nosso, em que muita gente critica as forças de segurança por não intervirem mais vezes quando há distúrbios nas bancadas, não pode um treinador, por muito que queira ficar de bem com os adeptos do seu clube, ter aquele tipo de atitudes sob pena de estar também ele, ainda que não intencionalmente, a incentivar os restantes a desobedecer às autoridades.
Mas, e para que tudo não seja mau, um aplauso para o treinador do SCP (que já no SCB tinha este discurso) quando num jogo em que o árbitro não viu um penálti favorável à sua equipa, teve a honestidade de dizer, e passo a citar:
“Não vale a pena estar a falar de prejuízos e benefícios. As equipas que são beneficiadas não falam quando o são, e só falam quando não são. Os três grandes são normalmente mais beneficiados e seria uma hipocrisia estar a falar de arbitragens”.
Felizmente, digo eu, ainda há alguém com bom senso e que em época de incêndios no futebol, se mantém com um balde de água… à mão.




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