Fotografia:
Diferentes… entre iguais

Foi notícia de primeira página no JN deste fim de semana, uma escola de Matosinhos que optou por turmas de nível com resultados positivos quer nos bons alunos, quer nos… menos bons. Juntar os alunos de acordo com as capacidades demonstradas tem sido sempre visto como um problema social de difícil resolução que pode levar a segregação e/ou desagregação numa comunidade educativa, sendo por isso uma decisão que deve ser sempre bem ponderada e explicada.

Carlos Mangas
27 Set 2013

Ao que parece, na escola em questão, apesar das reticências colocadas pelos encarregados de educação dos alunos menos bons, os resultados escolares vieram a dar razão ao diretor da escola, havendo, segundo o próprio, melhoria de resultados quer no grupo dos alunos mais aptos, quer no grupo dos alunos menos aptos. 
Mas se pensarmos bem, isto é o que já acontece na maioria das escolas privadas onde a única diferença que existe em relação a esta pública, é que a primeira segregação que é feita deve-se a outro tipo de “notas”(€). Quem tem frequenta, quem não tem, não frequenta.
Na minha área disciplinar (EF) o programa nacional já específica três níveis diferentes de abordagem por modalidade/área e a diferenciação de alunos já acontece, fazendo-se a separação dentro da própria turma, sendo os desportos coletivos, a área onde esta discrepância de competências mais existe, e dentro destes, o futsal o exemplo mais gritante.
O problema é que contrariamente ao desporto onde cada um chega onde pode, e podemos estabelecer diferentes objetivos em função da avaliação diagnóstica realizada, nas outras disciplinas há um programa a cumprir e competências e metas a atingir. E as perguntas que eu faço são:
Todos os alunos vão ser estimulados a atingir os melhores resultados? Os professores terão a mesma motivação quando colocados a lecionar numas e noutras turmas? Como são escolhidos os professores das diferentes turmas? Os testes são iguais nas turmas de diferentes níveis, ou há exigências diferentes? Os alunos que se destacam nas turmas de menor nível terão acesso às outras turmas? E caso isso aconteça, os que forem trocados “para baixo”… aceitam isso? Não estaremos a criar outra divisão semelhante à existente com os cursos profissionais? Não seria preferível manter as turmas todas com alunos “normais” e conceder apoios de acordo com as necessidades de cada grupo, uns para atingirem a excelência e outros para subirem notas mais baixas?
Daqui a pouco as turmas nas escolas vão parecer os clubes dos campeonatos de futebol em que há a 1.ª Liga, a Divisão de Honra e a 2.ª Liga. E o pior é que com o publicitado cheque-ensino, os colégios privados irão também poder recrutar os melhores, para assim continuarem a apresentar melhores resultados, a exemplo dos “ditos grandes” do futebol.
Mas, volto a questionar: A escola não tem de ser também um espaço de cooperação, de partilha de experiências, de aprendizagem para a vida, de saber viver em comunidade, de ser solidário não deixando ninguém… mas mesmo ninguém… solitário… entre iguais que são vistos como… diferentes?
Este último parágrafo parece demasiado confuso, não é? Pois…




Notícias relacionadas


Scroll Up