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Os “gladiadores”…

Os canais “generalistas” portugueses retiraram à maioria dos telespectadores a possibilidade de visionarem jogos de futebol (da 1.ª Liga) em “canal aberto”, remetendo as transmissões dessas partidas para os canais codificados, só acessíveis a quem possui disponibilidade económica para esse efeito. Apesar disso, essas mesmas estações de televisão sabem que o futebol “dá canal”, pois é assunto que aumenta consideravelmente as audiências. E por isso, mesmo sem proporcionarem transmissões integrais de jogos, apostam forte em programas relacionados com esta modalidade desportiva – designadamente naquilo a que poderíamos chamar… “futebol falado”.

Carlos Manuel Ruella Santos
26 Set 2013

Acontece, porém, que os painéis de comentadores escolhidos pelos responsáveis televisivos para esses programas, salvo raras exceções, não são, de facto, painéis de “comentadores”, como vulgarmente são qualificados. São, isso sim, painéis de… adeptos! Adeptos esses que, institucional ou afetivamente, se encontram vinculados aos “três grandes” (FC Porto, Benfica e Sporting).
O resultado desta situação afigura-se-me simples: em vez de “comentarem” os jogos disputados em cada jornada, contribuindo para que esses jogos sejam analisados pelos amantes da bola nos seus aspetos estratégico, técnico e tático – esses adeptos limitam-se a defender acaloradamente os clubes da sua afeição e a atacar, de forma acérrima e inflamada, os clubes rivais.
Ainda que isso possa agradar a alguns simpatizantes dos três clubes envolvidos nessas “discussões”, não me parece que esses painéis estejam a contribuir para a melhoria da qualidade do nosso futebol, nem para a melhoria dos patamares organizacionais do campeonato português, e menos ainda para a melhor compreensão, por parte dos telespectadores, da “verdade desportiva”.
Na verdade, o que nesses programas se “joga” é uma rivalidade cega entre os três clubes, onde cada um dos intervenientes esgrime constantes ataques ao “inimigo”, nem que para isso tenha de recorrer aos anais da memória, muitas vezes centrada em acontecimentos superficiais ou ocorridos há várias temporadas futebolísticas. E o que por vezes é apenas um “lance” banal de um jogo, ou uma ocorrência fortuita, esses adeptos (travestidos de “comentadores”) aproveitam o palco televisivo para os transformarem em demolidoras “bombas” de ataque aos rivais ali presentes…
É óbvio que ninguém espera (nem exige) desses presumíveis “comentadores” a imparcialidade e a isenção que os verdadeiros analistas da bola devem praticar nas suas intervenções. Todavia, ao “comentarem” de forma cega as “incidências” (sic) dos jogos, e ao usarem uma linguagem (gestual e verbal) de autênticos gladiadores romanos, esses adeptos acabam por fazer muito mal ao futebol, nomeadamente criando um clima de animosidade incontrolável entre os demais simpatizantes dos três clubes – situação que, depois, e disso não tenho dúvidas, acaba por se refletir negativamente no “clima” vivido nos recintos dos jogos.
É por isso que, bem vistos e ponderados os prós e os contras desses “programas da treta”, concluo que, apesar de haver nisso alguma injustiça, acaba por ser “saudável” para o Sp. Braga não estar “representado” nessas tristes batalhas televisivas!




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