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Direito/dever de votar

No próximo domingo, se Deus quiser, há duas coisas que não deixarei de fazer: presidir à celebração da Eucaristia e exercer o direito de voto. O comunicado do Conselho Permanente da Conferência Episcopal Portuguesa, a que me referi há oito dias, lembra particularmente o dever de votar. Dever que é um direito para todos cidadãos, independentemente do seu credo religioso. «Apelamos ao cumprimento do direito e dever de participar na vida democrática do nosso País, votando naqueles que em consciência cada um julgar serem os mais aptos para servir o povo nos respetivos municípios e freguesias», diz o texto. 

Silva Araújo
26 Set 2013

Penso que, no próximo dia 29, todos devemos votar. Votar como, em consciência, entendemos que devemos fazer. Há votos em branco, há votos nulos, há votos válidos.
É eleito quem tiver, a seu favor, maior número de votos válidos.
Os votos brancos e nulos contam para as estatísticas. Para as análises dos politólogos. Devem ser motivo de exame de consciência para os eleitos e para os profissionais da política. Estes não deverão deixar de se interrogar sobre que motivos levaram os cidadãos a votarem assim. Devem levar os eleitos a refletirem sobre que maioria têm, na realidade, a seu favor. Às vezes essa maioria, inserida no cômputo global do número de eleitores, levá-los-á a concluir que a maioria que de facto lhes deu o poder não passa de uma minoria.
 
Há quem opte pela abstenção como forma de protesto. É uma decisão que respeito mas de que discordo. À hora de ajuizar dos resultados eleitorais pode-se, interesseiramente, concluir que as abstenções representam o comodismo de quem se não quis dar ao trabalho de ir à assembleia de voto, preferindo ficar em casa a ver televisão, ir ao cinema ou dar um passeio. Interesseiramente pode-se fazer essa leitura das abstenções.
 
Que ninguém fique em casa. Que, através do voto lançado nas urnas, se diga quem se quer, quem se não quer, ou até que não se quer nenhum dos candidatos submetidos a sufrágio. Que se vá e se diga sim ou não. Não advogo a abstenção.
Que ninguém pretenda justificar a abstenção com a ideia de que mais voto menos voto, tanto faz. Não é assim. Todos os votos são importantes. Todos os votos contam. Por um se ganha e por um se perde. Recordo o falecido chanceler alemão Konrad Adenauer. Depois de ter ganho umas eleições pela diferença de um voto, comentou: olha se eu não votava em mim!
 
É evidente que o exercício do direito/dever de votar é uma forma de participar na vida da comunidade, mas não a única. Um cidadão consciente acompanha o dia a dia da cidade exprimindo as suas opiniões e apresentando as suas sugestões. Exercendo o direito/dever de cidadania.
 
Os detentores do poder devem facilitar as diversas formas de participação. Devem também, por si ou por outrem, acompanhar o que passa através das chamadas redes sociais, por onde hoje circula muito da participação dos cidadãos. Participação que também deve ser favorecida pelos tradicionais Meios de Comunicação Social.




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