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Contradições

Aproxima-se o primeiro jogo de grande importância (a nível interno) para o SC Braga, frente àquele que é o nosso maior rival do momento: o Sporting. No entanto, no futebol português a verdade visível esconde outras verdades, normalmente ocultas. Aquilo que temos visto do Sporting é a imagem de um clube que, mau grado os excelentes resultados dos últimos tempos, atravessa um período de graves dificuldades financeiras. Pelo contrário, notícias veiculadas há poucos dias dão conta do quarto ano consecutivo de lucros na SAD do SC de Braga. Desta vez foram mais de 5 milhões de euros de lucro.

Manuel Cardoso
26 Set 2013

Mas há outro lado, muito mais difícil de explicar mas talvez muito mais relevante na prática: o orçamento do SC de Portugal para esta época, mau grado todas as terríveis dificuldades financeiras, é de 26 milhões. O orçamento do SC de Braga, ao que julgo saber ainda não foi apresentado aos sócios mas deverá ser inferior a 12 milhões. Ou seja: um clube com grande saúde financeira tem um orçamento que é menos de metade de um outro, afundado em problemas de tesouraria. Como se explica isto? Simplesmente, não se explica. Quer dizer, explicação até há, mas não cabe nos propósitos deste artigo…
Mas o futebol português está cheio de situações difíceis de entender. Na jornada anterior, o treinador J. Jesus perdeu as estribeiras naquele episódio que me escuso de descrever porque já toda a gente o conhece. Quanto a isso, embora não seja benfiquista e muito menos apreciador do feitio do técnico do clube, devo dizer que compreendo a sua atitude. Não encaro aquele esbracejar como agressão nem como obstrução ao trabalho dos agentes de segurança. Encaro-o como uma reação irracional e intempestiva ao confronto entre adeptos e agentes policiais. Nunca me passou pela cabeça que Jesus tivesse intenção de agredir. Agora fala-se em processos judiciais e suspensões brutais. Não posso concordar; esta situação seria facilmente ultrapassada com uma conversa e um pedido de desculpas.
No entanto, como em tantas outras situações, o problema é que já se criaram precedentes graves. Ou seja, situações de alguma forma comparáveis e que foram brutalmente punidas. Sim, brutal e injustamente punidas. Se agora se usar o mesmo peso e a mesma medida, Jesus terá também um castigo brutal e injusto. Há uns anos, o atleta Vandinho foi suspenso por três meses devido a uma tentativa de agressão a um treinador adjunto do Benfica. Se os responsáveis pela justiça desportiva tiverem em conta este precedente, Jesus terá um castigo brutal.
É evidente que as forças policiais desempenham um papel importantíssima na nossa sociedade e no futebol em particular; no entanto, nem sempre o seu comportamento é o mais pedagógico. Em Guimarães, houve até bastante contenção no que se refere à maneira educada e pacífica como os agentes lidaram com Jorge Jesus, tendo em conta que consideraram aquela atitude como agressão. Mais uma vez, isto fez-me lembrar o famoso episódio de Leiria, em 2010. Quando festejavam a vitória do SC de Braga, alguns adeptos do clube, no final do jogo, saltaram para o recinto de jogo a fim de festejar com os jogadores e receber as camisolas que estes lhes ofereciam. Imediatamente, a festa foi interrompida por uma violenta carga policial que não poupou crianças nem idosos. Mais uma vez, aí temos as tais contradições: incongruências da lei e da ordem…




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