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O poder e as sombras

Seja qual for a sua génese ou modalidade, o poder sempre corrompe, vicia e desvirtua. Então, se exercido por longo tempo, desvirtua, corrompe e vicia absolutamente. Detenhamo-nos, todavia, no poder a nível político.Ora, politicamente, muitas vezes redunda em abuso e nepotismo o uso indevido do poder. Na História das nações abundam esses casos, dos quais, os mais próximos e paradigmáticos, são os de Hitler (Alemanha), de Mussolini (Itália) e de Estaline (Rússia); enquanto que Hitler chegou ao poder como chefe do Partido Nacional Socialista Alemão dos Trabalhadores e Mussolini do Partido Republicano Fascista, já Estaline, derrotados Trotzki, Kamenev e Zinoviev, toma-se secretário-geral do Comité Central do Partido Comunista da União Soviética e, depois, primeiro-ministro.

Dinis Salgado
25 Set 2013

Mas, o mais insólito e temido é que grande parte destes déspotas e sanguinários conquista o poder, não pela via revolucionária, mas democrática; e só, depois, instalados e por longo tempo, revelam a sua verdadeira face.
Regressando, porém, à nossa realidade política, o uso abusivo do poder que, por aí, se tem manifestado, toma visíveis ações de caciquismo, clientelismo, tráfico de influências e corrupção; e, quando ao abuso se alia a perpetuação, garantidos estão a instalação e desenvolvimento do fenómeno-polvo com miríades de tentáculos e penetrações.
Por alguma razão se apelidam de dinossauros os políticos que, por longo tempo, exercem o poder e, quase sempre, na mesma estrutura política. Temos na nossa vida democrática, que deve, fundamentalmente, ser de alternância, homens que, como autênticas lapas aos penedos, se agarram ao poder. Ora, para evitar esta situação e relativamente às autarquias, a Assembleia da República legislou, em tempos, mas de forma tão oblíqua que, muitos autarcas permanecem no poder; e, obviamente, porque julgando-se insubstituíveis, concorrem a outros concelhos, juntando, assim, aos malefícios do prolongamento no poder os vícios da autarcia e do nepotismo.
Entendo que, tal como qualquer produto alimentar, os cargos políticos devem ter prazo de validade; e nunca muito extenso. Porque, o que por aí se vê, sobretudo, são deputados, membros do governo e autarcas interessados em se manterem nos seus cargos até caí-rem de podres.
Ora, a democracia para ser viva, ativa e participada não convive bem com este fenómeno; e lamentável é, só por força da lei, ser possível impedir a existência de tais dinossauros. Por isso, ao escolhermos, no próximo domingo, os homens que queremos para governar as nossas autarquias, pensemos muito bem nesta triste
realidade do poder e das sombras, isto é, escolhamos homens que venham para servir e não para se servirem; e até para que, depois, não tenhamos de praguejar:
– Porra, vai cá uma nortada!
Então, até de hoje a oito.




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