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A imaturidade das novas teologias

Por uma questão de maior facilidade de exposição e compreensão, relativamente ao tema – As novas teo-logias –, cacarejadas no século XX, pelos galos, dominadores nos seus poleiros, Karl Barth, Rudolf Bultman, Bonhoffer, Robinson, William Hamilton, Altizer, Van Buren, Cox, entre outros, vou partir desta quase universal definição de Teologia: “Teologia é o tratado, o estudo, a meditação, que se ocupa de Deus, da sua natureza, seus atributos e suas relações com o homem e o universo, independentemente da revelação divina sobrenatural.”

Benjamim Araújo
25 Set 2013

Considero esta definição apaixonante e estrondosa como um morteiro saído da boca dos ainda imberbes e fogosos adolescentes no campo teológico, acima mencionados, aos quais, toda a irreverência à verdadeira fonte da teologia, parece ficar bem.
Questiono: – Quem é o verdadeiro e genuíno progenitor, que está na génese da autêntica teo-logia, dada à luz no seu acolhedor leito transcendental? Uma coisa sei. O verdadeiro progenitor da teologia, pelo seu parentesco com Deus, leva-me, pelas suas possantes mãos, até Ele. Sei que é autónomo, livre, responsável e sabedor. Sei, também, que enrola, no seu torneado pescoço, um colar de valiosas pérolas, colhidas da unicidade, da solidariedade e da fraternidade. Eu sei que o seu progenitor é belo como a primavera florida, luminoso como a aurora, pacífico e meigo como a brisa, rico e amorosamente gratificante como os ramos do pessegueiro a vergarem, até ao chão, de pêssegos peludos e saborosos ao paladar.
Este progenitor, sem pregões e sem interesse, está simulado e pendurado na dinâmica das manifestações, por ele superadas. Para os empiristas, a sua manifestação espelha-se na dinâmica dos fenómenos; para os racionalistas, na dinâmica dos conceitos e dos sistemas; para o moralista, na dinâmica do dever; para o filósofo, na dinâmica radical dos conhecimentos e ações; para o teólogo, na dinâmica salvífica da alma. Porém, todos estes espelhamentos, tomados como autênticos, sem passarem pela peneira da crítica reflexiva, são apenas ilusões, geradas simultanea-mente pela mente, pelos motivos fagueiros do coração e pelas emoções e paixões, fluorescentes como pirilampos nas faces do organismo.
O autêntico e verdadeiro progenitor é o nosso ser autêntico, constituído de espiritualidade materializada, que supera todas as suas manifestações no tempo e no espaço, no aqui e no agora.
A constituição metafísica do ser ôntico de Jesus, humanamente considerada, é idêntica à nossa. Porém, Jesus supera, na sua espiritualidade divina, a sua espiritualidade humana, não deixando, contudo, de ser uno. E esta espiritualidade humanodivina permite-lhe estar, em toda a sua plenitude, nas dimensões existencial, transcendental e transcendente.
Dentro da arquitetura teológica e, com fundamento no que atrás foi referido, afirmo que o nosso autêntico ser decreta perentoriamente à pessoa, no seu viver, aqui e agora, a conexão e sintonia com a identidade autónoma e livre do ser. Decreta também que a pessoa, na sua vida existencial, ao passar pelas suas vertentes sensorial, emocional, sentimental, cognitiva e operativa, tome Jesus por seu modelo e salvação.
Vou ousar afirmar que, no campo natural, toda a teologia, tanto a nova como a velha, se não se integrar, conectar e sintonizar com o nosso autêntico ser, é imatura e com tendência a desabar.
Os problemas aflorados pela Nova Teologia centram-se em: – separação entre a fé e a religião; se a fé deve ou não prescindir do sobrenatural; se Deus é ou não transcendente. Na minha opinião, estes problemas são superados pela ausência da ignorância e das dúvidas e pela vivência do nosso autêntico ser.




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