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É o tudo por tudo

Por esta altura – faltam apenas poucos dias para o acto eleitoral – um nervoso miudinho, um frio na coluna ou uma ansiedade invulgar, assaltam os candidatos às eleições autárquicas. Não são os únicos atingidos. Os partidos políticos e os movimentos que os suportam andam interventivos e alguns estão mesmo preocupados. O Governo também não está tranquilo e procura fazer tudo o que está ao seu alcance para não ser beliscado com o acto eleitoral que aparentemente – só aparentemente – nada tem a ver com as medidas que tem tomado.

Luís Martins
24 Set 2013

Perceptível é um bulício inusitado, sobretudo, desde há duas ou três semanas, que se prolongará até ao último minuto da próxima sexta-feira. Uns que querem ganhar, outros que sonham apenas crescer em relação à última edição, outros ainda que fazem figas para que, a não correr bem, pelo menos que não percam por muitos.
Esta é a altura de todas as inaugurações. Das que já o tinham sido e voltam a sê-lo porque o povo tem de se lembrar disso. Das que foi preciso acelerar para não serem outros a inaugurar as obras feitas. Também das que seguiram o seu curso normal. No caso de autarquias com dinossauros, concluem-se as obras que foram prometidas, quiçá, desde há dezenas de anos. Mas há as outras em que, haja ou não mudança de edil prevista, no mínimo, se alteram as rotinas: apara-se mais cedo a relva dos jardins, limpam-se as bermas e os taludes como se fosse haver festa, levam-se as crianças e os idosos a locais de diversão e confraternização, e fecham-se até os últimos ajustes directos. Um verdadeiro corrupio. Tudo acelerado, que o tempo urge. Todos os meios disponíveis envolvidos. É o tudo por tudo. E os candidatos, como sempre, aproveitam a oportunidade para alguns auto-elogios, confirmar o cumprimento de promessas eleitorais e fazerem novas ou reiteradas juras para o futuro. Claro, tudo a tempo de ser possível pesar na avaliação que o povo fará no próximo domingo, dia 29 de Setembro.
Depois da contagem dos votos, serão tiradas consequências políticas e ver-se-ão alguns responsáveis a afastarem-se. Certo é que, conhecidos os resultados, os responsáveis políticos dirão que aqueles se devem a isto ou aquilo. Uns, que a culpa é do Governo (ou não). Outros, que os resultados nada têm a ver com a situação do país, que se vota na personalidade, mais do que na força ou nas forças políticas de quem se recebe acolhimento e apoio. Outros ainda, que tem tudo a ver com o país, que a situação vai de mal a pior ou então que o Governo não está a cumprir as promessas e, por isso, o povo quis dar um sinal de insatisfação penalizando os partidos do poder. Poucos acharão que não tiveram o apoio necessário dos seus correligionários ou do partido.
Haverá perdedores que vão dizer que, afinal, ganharam. Creio, contudo, que um perdedor garantido será o Governo. A reestruturação administrativa, à revelia das populações, levará a que os cidadãos se abstenham mais do que em actos eleitorais anteriores. Muitas pessoas não se revêem nas alterações, não as aceitam e esperam, até, que outro Governo venha desfazer o que o actual criou. Estou certo de que a maioria dos cidadãos acompanhará o Governo que fizer isso.
E quanto à geometria política? Se perder, a direita dirá que os resultados devem ser lidos dissociados da acção do Governo. Se ganhar, preferirá defender que o povo compreende as dificuldades do país. Ao contrário, se a esquerda perder, dirá que as pessoas andam distraídas. Mas, se ganhar, fará a ligação com o Governo e relevará que esta foi a primeira derrota no pronunciamento do povo.
Aconteça o que acontecer, todos os candidatos às eleições autárquicas merecem um aplauso. Disponibilizaram-se para servir a comunidade, mesmo sabendo que a maior parte não encontrará pela frente nem um modo de vida, nem qualquer regalia. Apenas trabalho abnegado e muito provavelmente algumas chatices. Ciente de que estou a interpretar bem o que pensa a maioria dos meus concidadãos, o nosso muito obrigado.




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