Fotografia:
A última batalha!

É tarde de domingo. O céu azul, o sol radioso e a brisa quente que de vez em quando acaricia os rostos obstam os dizeres do calendário que nos lembra já estarmos em pleno outono. Na larga avenida, onde o verde de outrora deu lugar a um cinzento granítico, há um bulício invulgar. Apinham-se pessoas de todas as idades, umas com trajes coloridos e outras com roupas mais recatadas, mas todas com a exultação retratada na face de uma ambição comum. Os cânticos e as palavras apregoadas dão expressão àquele anseio e a música, de pendor essencialmente popular, faz crescer em cada um a certeza da consumação do desejo que juntou tamanha multidão.

J. M. Gonçalves de Oliveira
24 Set 2013

A causa de tão grande festejo extravasa em cada palavra vertida nos discursos que intervalam com as danças e canções e o colorido das bandeiras e balões avivam, ainda mais, a efusividade da mensagem que se pretende prolongar – aproxima-se a última batalha.
Na larga avenida da urbe milenar derrubam-se medos, desfazem-se dúvidas e veem-se crescer certezas de mudança. As amarras urdidas ao longo de décadas já não amedrontam ninguém e, por todo o lado, há sinais claros que a vitória não deverá fugir.
A uma semana certa da passagem do testemunho, é preciso cerrar fileiras. Os dias que ainda restam são de mobilização para engrossar o rio que, por entre fragas e veredas, correndo montes e vales, foi crescendo na esperança de nos dar um mar de esperança. Esperança num tempo novo, onde novos timoneiros sejam capazes de alargar horizontes e preparar a grande metrópole bracarense para as exigências das grandes transformações do presente.
Um tempo novo centrado nas pessoas e para as pessoas, tendo em conta as grandes alterações sociais, económicas e políticas que vêm moldando a sociedade do nosso tempo. Um tempo novo onde as preocupações ambientais, o bem-estar do cidadão e a sustentabilidade dos recursos são prioridades essenciais; onde novos paradigmas se afirmam e onde as grandes orientações estratégicas devem ter em conta atrair emprego de qualidade e cuidar de preservar e expandir as potencialidades existentes; em que os mais vulneráveis nunca sejam esquecidos, de forma a cultivar uma sociedade coesa e inclusiva, sendo imprescindível assumir em todos os atos uma matriz profundamente humanista. Foi isto que, numa breve síntese, pude apreender no último domingo.
Uma tarde soalheira, mais convidativa a uma ida à praia ou a uma pausa mais prolongada num qualquer recanto desta nossa bela região minhota, não impediu que uma verdadeira multidão fosse alegremente preparar a última batalha pela mudança que se avizinha.
Uma mudança que se vislumbra cada vez mais clara, que muito mais do que o encerramento de um ciclo decadente e gasto, se vem afirmando pela necessidade de novas ideias, modernos desafios e uma maneira diferente de poder servir a causa pública.
Na política, como na vida, tudo tem um princípio, um meio e um fim.
Depois daquela tarde de domingo, mais do que nunca, penso que mais do que testemunhar o fecho de um longo período da história da nossa “Bracara Augusta” pude comprovar que está muito próximo o irromper de uma nova liderança no nosso concelho.
Está nas mãos de quantos por ela almejam concretizar nas urnas, no próximo domingo, esse anseio de mudança. Será, por certo, o último gesto desta já longa batalha.




Notícias relacionadas


Scroll Up