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A “hipocrisia” do FMI

Finalmente, um dos vice-presidentes do PSD alertou para a “hipocrisia” do Fundo Monetário Internacional. “Mais vale tarde, do que nunca…”, diz a sabedoria popular. Marco António Costa ou foi sincero, ou foi um ator político (em plena campanha eleitoral autárquica) durante este período de preparação do Orçamento do Estado para 2014. Já o ministro do Ambiente parece incomodado com o seu parceiro partidário, defendendo, na sua deslocação a Bruxelas, ser “muito sensato” não fazer comentários públicos durante as missões de exame da “troika” ao programa de ajustamento português, que, segundo o mesmo, “podem perturbar as discussões em curso”.

Albino Gonçalves
24 Set 2013

É este o cenário do contraditório… Se uns divulgam as suas posições, fartos de um comportamento bipolar e inflexível dos agentes técnicos representantes dos credores internacionais, outros, assustados com o impacto da coragem, correm a grande velocidade em socorro do “incêndio político” lavrado na praça pública!
Portugal tem uma sociedade civil com desgaste económico impiedoso. Os portugueses ativos, desfalcados pela excessiva carga fiscal, não conseguem amealhar qualquer rendimento, fruto dos impostos abusivos e sem contrapartidas do Estado. Tem, por isso, toda a lógica a mudança de “ventania” do PSD e do seu parceiro de coligação, ao criticarem (ao contrário do que acontece com o primeiro-ministro) a “inflexibilidade dos parceiros internacionais”, acusando-os de incoerência entre as suas práticas e as teorias que propalam sobre os efeitos da austeridade.
Ainda recentemente Christine Lagarde, diretora-geral do FMI, e Olivier Blanchard, economista e quadro técnico da mesma instituição, defendiam maior abrandamento nos programas de austeridade, para não porem em risco o desenvolvimento das economias dos países em recessão – pois é sabido que a austeridade excessiva tem impacto dramático na economia e na estabilidade social de cada país intervencionado pela “troika”. Mas, pelos vistos, essa recomendação caiu em saco roto!
O governo, precisado de dinheiro, tem cometido algumas atrocidades, nomeadamente contra os seus profissionais e contra os aposentados da Administração Pública. Os nossos governantes têm, de facto, inventado “fórmulas” de redução da despesa pública que ofendem os trabalhadores e violam descaradamente princípios éticos que inicialmente estabeleceram com o Povo. Com o aumento da carga horária das 35 para as 40 horas semanais, cada funcionário público dará gratuitamente ao Estado, ao fim de doze meses de trabalho, dois meses e dezassete dias! Avaliando isto, são milhões que o governo arrecada a custo zero dos funcionários públicos… E o corte de 10 por cento nas pensões é um absurdo, a que se junta a “distinta lata” de excluir desta medida (como não fossem iguais a outros tantos portugueses!) militares, juízes e ex-políticos com subvenções suportadas pelo erário público…
A sociedade portuguesa está muito vulnerável. É preciso, por isso, atenuar a austeridade que nos quer impor a “troika”. E daí a importância das vozes de quem denuncia a “hipocrisia” dos nossos credores!




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