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Vamos votar

No próximo domingo é dia de ir às urnas. Há quem diga que é um dever de cidadania. Para mim é um prazer, além, é evidente, de ser um direito constitucional para o qual muitos democratas lutaram e sofreram na pele. Sou dos que pensam que um prazer nem se coaduna com o direito nem com o dever. Prazer é sentir gozo de alma e satisfação de poder escolher e não o fatalismo de ter de aguentar uma herança. As eleições autárquicas, já muitos o disseram, mas eu repito para que se entenda bem, nada tem a ver com partidos ou ideologias. O que vamos escolher é aquela personalidade em quem mais confiamos para gerir os interesses do município.

Paulo Fafe
23 Set 2013

Não vamos escolher o homem perfeito. Vamos votar naquele que nos pareça melhor, sabendo que tem defeitos. É humano, não é divino. Tentar colar qualquer candidato ao partido é tentar confundir o fogo com o fumo, o que numa linguagem menos erudita significa, classificar o vinho pelas borras do pipo. Em Braga a escolha é bem clara, não deixa quaisquer dúvidas. Ou se escolhe Vítor Sousa ou se escolhe Ricardo Rio. Os outros candidatos também merecem a minha atenção pela coragem que demonstram em concorrer com estes dois. Em democracia todos temos o direito a concorrer. Umas eleições trazem sempre, seja em que nível as posicionemos, uma continuidade ou uma mudança. A mudança é o horizonte da diferença. Continuar é comer o mesmo prato. Mudar implica mergulhar na esperança de que  seja para melhor. Há uns tantos eleitores que estão cansados das promessas dos políticos, enjoados com a demagogia eleitoral, e que, por isso, se abstêm de votar. Penso que pensam mal. Tenho o maior respeito por quem vota porque vejo neles a personificação de uma vontade soberana e um expoente de afirmação pessoal. Os políticos podem cansar-nos a alma e desgostar-nos os sentidos mas a democracia é liberdade de escolha, isto é, somos livres para correr com esses no tempo devido. Sobram ainda aqueles que não gostam da democracia, que gostam de um poder  que se lhe substitui! Eu gosto, prazer de herança familiar, de ter o poder de escolher, amo o sistema que me dá o direito de dizer sim ou não, escolho sempre de acordo com o meu pensamento e não quero nem concebo um regime político que me iniba de ser eu o autor e ator  das minhas opções. Julgo que ninguém tem o direito de não participar no futuro da sua região. Eximir-se a tal poder é fazer-se de minhoca e depois espanta-se quando a calcam. E há gente para estas calcadelas! Eu sou tão extremista neste gozo que é votar,  que até entenderia que a urna se deslocasse a eleitores que por saúde ou outra qualquer impossibilidade, não pudessem usufruir desse prazer de cidadania, hospitais, lares da terceira idade, ou até mesmo a casas particulares. Podem não ter saúde física mas podem ter uma grande saúde mental. Por outro lado seria uma imensa lição de cidadania para os que ficam nos sofás filosofando sobre o estado da nação, sem, contudo, mover uma palheira para o melhorar.




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