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Braga em contraste II

De bem próximo nos chegam excelentes exemplos da valorização, preservação e conservação dos núcleos históricos das cidades num respeito total pela sua essência mais pura e originária. Uma cidade que se pretende turística deve investir no que de realmente característico tem e Braga tem um centro histórico com edifícios muito interessantes, fachadas cobertas a azulejo, janelas e portas lindíssimas em madeira, verdadeiros retratos do engenho e perícia dos artífices de outros tempos. Devemos valorizar e saber preservar esse património, e não, como, tantas vezes, tenho visto, reabilitar sem qualquer respeito pela sua época histórica, destruindo completamente a sua identidade.

Sofia Marques
22 Set 2013

O turismo agradece esse respeito e o turista, cada vez mais esclarecido e exigente, saberá seleccionar os destinos turísticos onde essa valorização, preservação e conservação é tomada como letra da lei.
Na esteira do artigo precedente – Braga em contraste I – podemos afirmar que existem outros senãos na cidade de Braga. Fora a já usual ausência de convenções que impeçam as pessoas de deitar papéis ou cuspir para o chão, mais não fosse por uma questão de educação, muitas são as ocasiões em que nos deparamos com um mar imenso de lixo. Todos relembramos o resultado da “Noite Branca” ou dos dias de São João nos quais a cidade acorda submergida em copos plásticos de cerveja e num cheiro nauseabundo a urina. Aqui temos mais um idílico postal da civilidade das gentes brácaras para exibir aos turistas. Urge, então, catequizar as pessoas em prol do respeito pelo ambiente, mantendo a cidade limpa de acordo com um espírito de urbanidade que se exige a todos os concidadãos. Não se trata de ter ou não mais pessoas para proceder à limpeza das ruas. Trata-se de formar consciências e alterar comportamentos. A bem da cidade e do desejo de se tornar um local atractivo para os visitantes, exige-se uma forte aposta na higienização e qualidade do meio ambiente. Se os portugueses, quando vão ao estrangeiro, são capazes de cumprir as regras de não deitar papéis para o chão nem permitir que os seus animaizinhos de estimação deixem os seus presentes na rua, por que hão-de ter um comportamento diferente dentro das fronteiras do seu país?
Mas existem ainda outros pontos a considerar. Por que se negligenciam determinadas zonas do centro histórico? Por diversas e cumulativas vezes, aquando da rea-lização de eventos como a Braga Romana ou outros, por que subreptícia e liminarmente se pretende ignorar toda a zona abaixo da Rua do Souto, designadamente, a Rua D. Diogo de Sousa, a Praça Velha e o Arco da Porta Nova?
A concepção de uma cidade sustentável, competitiva e com elevados padrões de qualidade exige adopção de políticas estratégicas coerentes ao mesmo tempo que requer uma acentuada intervenção cívica e um esforço contínuo das várias forças da comunidade.
Arquitectura, urbanismo, memória histórica e social, gastronomia, paisagem, herança cultural, autenticidade e unicidade são factores chave na construção de uma cidade que se pretende aprazível para os que nela habitam e cativante para os visitantes.
Se pretendemos que Braga se transforme num pólo de atracção turística, apostemos na valorização, preservação e conservação do seu património!




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