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Formação Técnica, onde andas?

A formação superior no âmbito da educação física e desporto aparece em Portugal através do Instituto Nacional de Educação Física (INEF), em Lisboa, nos anos 40. Mais tarde, nos anos 70, e após a revolução de abril, o INEF passa a ser designado de Instituto Superior de Educação Física (ISEF), aparecendo também uma versão no Norte do país, na cidade do Porto. Até ao início dos anos 90, estas duas instituições eram as únicas que formavam técnicos superiores para dar aulas de Educação Física e que pela sua forte componente na área do(s) desporto(s) acabaram por qualificar em todo o país a atividade de treino dos clubes, associações e federações nacionais.

Fernando Parente
20 Set 2013

Com a Lei de Autonomia das Universidades, estes institutos “acharam” que por passar a utilizar o nome de “Faculdade” e deter um regime equivalente à das suas congéneres de Medicina, Engenharia, Letras, etc., e os seus docentes um estatuto e progressão na carreira exatamente igual a todos os seus pares no Ensino Superior das Universidades Públicas, estaria concluído um longo e difícil processo de afirmação no mundo académico.
Nesta altura, com a mudança de” status” de ISEF para Faculdade, em Lisboa, de Motricidade Humana e no Porto, de Ciências do Desporto e Educação Física, pensava-se que a simples alteração de um estatuto de instituição de formação eminentemente técnica para uma “escola” superior, com uma forte componente de investigação, levaria a um desempenho superior dos seus docentes e estudantes no âmbito do ensino e da investigação.
Se por um lado as “novas” regras de progressão a que os docentes foram sujeitos criou uma nova dinâmica em termos de investigação, por outro lado, e segundo muitos que partilham da minha opinião, perdeu-se uma valência que marcava muito positivamente a atividade dos ISEF´s: a forte formação técnica com que os alunos saiam destas instituições após acabar o seu curso. Muitas outras instituições superiores apareceram após os anos 90 a formar nesta área, quer de natureza privada, pública, universitária ou politécnica, no entanto, e em regra, sempre a enfermar pelos mesmos problemas que as instituições anteriormente referidas.
O resultado destas alterações passados mais de 20 anos é preocupante. A investigação que deveria ser realizada no âmbito do ensino e treino das atividades desportivas é desvalorizada. Os alunos estão a sair destas instituições após os diferentes ciclos de formação com muitas carências quando têm que “ensinar” determinados gestos e movimentos das modalidades desportivas. Estas instituições, e em regra quase todos os seus docentes, deixaram de se concentrar nos fins e objetivos para que foram criadas, ou seja, no ensino e investigação do desporto e educação física, devendo atuar verdadeiros agentes de formação e promoção de uma cultura desportiva na sociedade. A investigação e formação dos atuais alunos centra-se muito em fenómenos marginais onde o objetivo não é resolver o problemas de todos, mas sim e apenas a afirmação e progressão da carreira de alguns. É absolutamente necessário lançar o debate interno nestas instituições sobre estas questões, porque “cá fora” continuamos a necessitar de “boa” formação técnica em educação física e desporto!




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