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Em defesa do rio Cávado

Ultimamente, devido aos incêndios que têm assolado o nosso país, tem-se falado muito do fogo que vai consumindo o pulmão que nos ajuda a respirar: a nossa floresta. E pelos cidadãos que foram detidos, em flagrante delito, evidencia-se que há uma espécie humana que não tem pejo em matar a família de seres vivos, à qual todos pertencemos, incluindo a sua e nossa própria mãe: a natureza. Se é verdade que são os distúrbios mentais que os impulsionam a cometer os crimes, também não é menos verdade que essa disfunção os não leva a pegarem fogo ao que é seu, o que pouparia a vida a tantos soldados da vida e da paz.

Narciso Mendes
20 Set 2013

Presenciando ou vendo pela TV o ataque, sem tréguas, que os nossos heróis nacionais têm levado a cabo, com a colaboração dos meios aéreos, verificamos também os rios de água que são despejados sobre o fogo. Porém, estas situações tornar-se-iam bem mais aflitivas se não pudéssemos contar com os nossos rios e lagos onde, felizmente, abunda tão precioso líquido. Ora, sempre que ouvimos falar de atentados contra a natureza, falando-se de descuido e desmazelo, a que estão votadas as matas portuguesas, pela falta de  ordenamento no território, necessário se torna lembrar que também os rios nacionais estão deixados à sua sorte.
Lembro-me de ter lido, numa revista, o caso de um jornalista americano que numa reportagem de rua, na Índia, questionou um cidadão sobre o que mais temia que lhe viesse a faltar no futuro. E quando esperava ouvi-lo dizer que seria o dinheiro, o abrigo, a felicidade ou até a saúde, este indiano respondeu-lhe de uma forma peremptória: “a água”. Tendo a sua resposta levado o homem da imprensa a interrogar-se: “como é possível que para um humano, daquelas paragens, seja aquele o bem mais precioso da sua vida, enquanto outros quase o ignoram ou até  desprezam?”.
Pois bem: é sobretudo durante a época estival que, para além dos incêndios, nos chegam notícias de focos de poluição nos rios, sobretudo naquele que mais directamente nos diz respeito: o rio Cávado. Caudal que, há uns anos a esta parte, se tem constituído alvo de críticas por parte dos banhistas que a ele recorrem para se refrescarem quando, ao serem surpreendidos pela imundície, o encontram interdito para banhos. É que as sucessivas descargas poluentes são de tal ordem que reduzem o seu leito a um esgoto de detritos, por vezes químicos, matando toda a espécie de seres vivos e destruindo o seu ecossistema e biodiversidade.
São muitos os temas que prendem a atenção dos “media”, desde a política ao desporto, passando pela vida mundana e social. Porém, as questões relacionadas com os nossos recursos hídricos são tratadas com ligeireza, resumindo-se a notícias esporádicas sobre o preço da água. Da mesma forma, e talvez porque esta questão se não traduza em votos, os nossos políticos vão fazendo ouvidos moucos aos ambientalistas. A meu ver, um foco de poluição num rio deveria ser olhado, por quem de direito, como se de um incêndio se tratasse. Devendo ser imediatamente descontaminado e detido o seu autor.
Parafraseando a saudosa Maria José Nogueira Pinto: eu sei que eles sabem que eu sei que todos sabem que eu sei quem sabe quem são os criminosos. No entanto, se uma vez chegados à origem, pelo rasto, não se vão vislumbrando procedimentos criminais, patente se torna que a culpa morre sempre solteira. E disto temos o exemplo mais flagrante do rio Este, na nossa cidade de Braga, que os nossos responsáveis autárquicos não quiseram tratar por pura complacência, durante décadas, para com os seus agentes poluidores.
Do muito que há para fazer, a nível autárquico, encontra-se o rio que nos dá de beber a todos. E tudo o que possamos fazer pelo rio será bem vindo. E acrescento: seria vantajoso que o próximo eleito para a CMB tomasse a iniciativa de propor a todos os concelhos que beneficiam do rio Cávado, e dos seus afluentes, um pacto de defesa e de combate ao banditismo ambiental.




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