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O que se espera dos autarcas

A propósito das eleições do próximo dia 29 o Conselho Permanente da Conferência Episcopal Portuguesa tornou público no dia 10 um comunicado merecedor da melhor atenção. Nele se fala da importância das próximas eleições, do trabalho dos autarcas, da atividade política, da intervenção política dos cristãos, do dever de participar na vida da comunidade através do exercício do direito/dever de voto e não só. 

Silva Araújo
19 Set 2013

As próximas eleições, começa por afirmar o comunicado, são encaradas como «um momento importante para colaborar no indispensável serviço às populações locais. Mais do que fazer prevalecer uma determinada cor política e partidária, está em jogo a capacidade dos candidatos servirem com honestidade e competência o povo da sua zona».
Que cada um, em consciência, vote nos que julgar «serem os mais aptos para servir o povo nos respetivos municípios e freguesias».
 
É grande o trabalho que se espera dos que estiverem à frente das freguesias e dos municípios.
Tanto quanto sei ninguém foi obrigado a formalizar a sua candidatura. As pessoas apresentam-se a sufrágio porque querem. Os eleitores têm o direito de lhes exigir que se dediquem ao bem comum. Que, eleitas por uma parte de fregueses ou de munícipes, a todos sirvam. Sem compadrios nem discriminações. Não dando ensejo a suspeitas de corrupção. Não andando em busca de tachos nem de penachos. Gerindo com o maior escrúpulo os dinheiros públicos. Atuando com a maior transparência. Hierarquizando as várias necessidades e gastando no que realmente é preciso e é prioritário, sem se deixarem seduzir pelo vistoso de obras que podem encher o olho mas se revelam de pouca eficácia e utilidade. Sem se envolverem em negociatas de qualquer espécie. Sem abusarem do poder para se vingarem de quem lhes não faz os fretes que pretendem. Sem usarem dos meios postos ao seu alcance para comprarem silêncios ou pagarem favores.
Exige-se dos eleitos que atuem como quem tem a consciência de que o exercício do poder deve andar sempre ligado à prática da justiça. Que decidam sempre de harmonia com a própria consciência e não atuem  como paus mandados seja de quem for. Que mostrem, com atos, que, acima dos interesses do partido está o bem das populações que se propuseram servir.
Que o exercício do poder os não leve a encerrarem-se no alcatifado dos gabinetes mas os faça conviver com o povo, ouvir o povo, sentir os reais anseios e necessidades do povo.
Exige-se dos que forem eleitos que tratem todos os cidadãos por igual, independentemente da sua condição social, do seu nível cultural, da sua cor política, do seu credo religioso, das suas predileções clubísticas. Que a todos atendam com solicitude. Que atuem com a consciência de que o seu tempo é, prioritariamente, para os que se propuseram servir.
Que os eleitos não hesitem em dedicar particular atenção aos que realmente mais precisam. Aos que são tão carenciados que nem sequer têm poder reivindicativo nem capacidade para se manifestarem. Exige-se-lhes que saibam escutar o silêncio de quantos não podem falar.
Dos que forem eleitos exige-se que atuem com honestidade, com competência, com sentido de responsabilidade. Sem demagogias enganadoras. Não entretendo as pessoas com «rebuçados», enquanto lhes recusam o que de verdade precisam e as privam de serviços que lhes devem ser prestados.
 
É grande a responsabilidade dos autarcas. É muito o que deles legitimamente se espera. Que se não apresentem a sufrágio movidos por interesses económicos ou por vaidades pessoais, a pensar no estatuto que passam a ter ou nas benesses de que poderão usufruir.
Quem não está disposto a sacrificar-se realmente pelo bem comum, que desista, antes que seja eleito. É uma questão de honestidade e de respeito por si e pelos outros.




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