Fotografia:
A lei da moralidade (I)

É universal (por integrar a essência da natureza humana) a existência de um princípio de moralidade que determina o que faz parte de uma boa conduta e o que não faz. Na base de todos os sistemas legislativos éticos, elaborados pelo homem ao longo dos tempos, muitos dos quais acabaram por ser destruídos ou substituídos por outros modelos, permaneceu sempre um conjunto de normas, cuja função é louvar (e aprovar) as ações morais e reprovar as imorais. John Morley disse: “O certo e o errado estão na natureza das coisas.

Artur Gonçalves Fernandes
19 Set 2013

Não são palavras e frases. Fazem parte da natureza das coisas, e quem transgredir as leis estipuladas, impostas pela própria natureza, pode estar certo de vir a pagar por isso.” Sem normas éticas não podem existir autênticas e perenes relações humanas. São elas que alicerçam solidamente a harmonia entre os povos. A sua ausência é que tem originado o grande número de conflitos que têm destruído a convivência entre os homens e as nações. “Na realidade – escreve C. S. Lews – as normas morais são instruções para trabalhar com a máquina humana. Cada uma delas serve para evitar uma avaria, ou um esforço demasiado, ou um atrito, com o funcionamento dessa máquina. Por isso essas normas parecem a princípio interferir constantemente com as nossas inclinações naturais.” Não se compreende, pois, a grande praga de litígios, quezílias, querelas, abusos, violações dos direitos humanos, cortes cegos nos vencimentos e nas pensões da classe média que empobrece sem dó nem piedade, perseguições arbitrárias, guerras e massacres indiscriminados de povoações inteiras. Lin Yutang escreveu: “Hoje temos medo de palavras simples tais como bondade, caridade e amabilidade. Não acreditamos nas boas velhas palavras porque já não acreditamos nos bons velhos valores.” Uma coisa de grande ajuda para a nossa vida interior é estabelecer na nossa mente uma escala de valores que sejam realmente significativos, importantes e verdadeiramente proveitosos. A conduta é a vida; no fim de contas a felicidade e a prosperidade estão dependentes dela. As circunstâncias externas têm, comparativamente, pequena importância; importa mais o que somos do que o meio à nossa volta. O comportamento é um espelho no qual todos mostramos o que somos.
Pela vida fora estamos constantemente a ter de tomar decisões a respeito do que é bom e do que é mau, as quais não prejudicam, de forma alguma, outras pessoas, mas que nos dão resultados favoráveis. Nós aprendemos que os nossos atos são governados por determinadas leis e que a sua execução traz inevitavelmente determinados frutos. Também não se pode negar que, muitas vezes, as coisas más ou imprudentes são agradáveis, às vezes até mesmo deliciosas naquele momento. Mas, ao ceder a esses impulsos, estamos a comprar um prazer fugaz à custa de um sofrimento futuro muito mais doloroso que daí pode advir; estamos a desistir de muita coisa útil por um lucro passageiro, efémero e ínfimo, em relação ao bem que se obteria de outra forma mais correta; estamos a comprar o louco divertimento de uma hora pelo preço da longa penitência dos anos seguintes. Nem todos podem tirar cursos superiores. Mas todos podem ter uma alta escala de valores, coroada pelas boas  qualidades de espírito que são a verdadeira riqueza de qualquer pessoa. O senso moral é mais importante que um poço de sabedoria. Quando ele desaparece num país, toda a sua estrutura social começa lentamente a desmoronar-se. A história revela a ascensão e a decadência de nações, mas a lei moral está escrita nas tábuas da perenidade. Não há império ou ditadura que permaneça eternamente. Aprendamos com a história dos povos. Dizia um meu professor, há poucos anos falecido, que a História era a mestra da vida.




Notícias relacionadas


Scroll Up