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Cidade de remendos

Já começaram, e com que força, as ações de remendagem nas zonas recém-regeneradas desta nossa, para quem não sabe ou se esqueceu, augusta, barroca, bimilenar e dos Arcebispos cidade de Braga. As lajes utilizadas, não resistindo aos efeitos destruidores do trânsito automóvel, como ovos de avestruz sob pata de elefante, foram cedendo e partindo; todavia, temo que esta não passe de remendo em calças puídas.E tudo isto mais que evidente e previsível era; já noutras zonas do casco urbano, onde idêntica operação se efetuou e o trânsito continua a circular para cargas e descargas, é constante, direi mesmo residente, uma equipa de remendões; o que me leva a supor que nada se aprendeu com os erros do passado; e isto, para além dos incómodos e do mau aspeto que causa, constante sorvedouro de dinheiro público é.

Dinis Salgado
18 Set 2013

Ora, bem fácil é tirarmos as devidas ilações: até um leigo na matéria ou que tenha frequentado uma universidade onde sacou um canudo tipo o do Sócrates ou do Relvas, sabe que água mole em pedra dura, ou seja, carro ou camião em folha de granito é estardalhaço garantido. E, nestas zonas, frequentemente se assiste à circulação e estacionamento de veículos pesados.
Já em tempos, aqui, referi e, agora, reitero que a solução encontrada para a dita operação de regeneração não foi a melhor, mais duradoura e económica, pois, as zonas pedonais (práticas, agradáveis, ecológicas) não convivem bem com os automóveis (poluentes, incómodos, malfazejos); ademais, a pressa com que a obra foi efetuada dificilmente garantias dava de solidez e durabilidade; depois a qualidade das lajes pródiga é na retenção de sujidades e na propensão às escoriações; e já para nem falarmos nos problemas, em termos meteorológicos, do brutal aquecimento global que trouxe à cidade.
Pois bem, gerir uma cidade não é gerir uma mercearia ou tabacaria de bairro ou, muito menos, um negócio de vão de escada. Porque, para além do mais, são dinheiros e interesses públicos que estão em causa; e, quando tal acontece, presentes devem sempre estar um cabal planeamento e ordenamento e muito rigor, responsabilidade, competência e bom senso.
Agora, o que os bracarenses precisam mesmo de saber é quem suporta os prejuízos desta cirurgia de plástica reconstrutiva: será a(s) empresa(s) autora da obra ou a Câmara Municipal? Porque, se é esta entidade (todos nós) a aguentar a bucha, é caso para praguejarmos.
– Porra, vai cá uma nortada!
Então, até de hoje a oito.




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