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A frustação do amor nos comportamentos amorosos

Os fisiólogos e os psicólogos explicam, cientificamente, as nossas reações, atitudes e comportamentos, inclusive os amorosos, como resultado dos estados das nossas experiências, provenientes da integração e conexão do sistema nervoso com o sistema mental. Reciprocamente, o sistema nervoso, (quem o atesta é a nossa natureza biológica), através das suas reações químicas, vai estimular o dinâmico filme das representações imaginativas e mentais e estas, na sua sequência, vão estimular as reações químicas do sistema fisiológico.

Benjamim Araújo
18 Set 2013

É a partir da vivência das representações implícitas nesta conexão, agradáveis ou desagradáveis, moldadas pelo meio ambiente, cultura e recordações, que o indivíduo está incentivado para a aproximação ou afastamento disto ou daquilo, bem como para gerir e abrir as janelas da consciência para os mundos da sua existência, da sua transcendência e para o mundo transcendente.
Porque os nossos comportamentos estão condicionados pelas experiências, está nas nossas mãos controlar e gerir as vivências das nossas representações para modificarmos, positivamente, as nossas disposições e abrirmo-nos ao otimismo e à esperança.
Relativamente aos comportamentos amorosos, vou-me deixar serpentear por entre o panorama geral desses comportamentos, a estoirarem, como castanhas a assar, na braseira viva da nossa imatura atua-lidade.
Sobre o amor e a felicidade, para os não amesquinhar e envergonhar, vou evitar defini-los.
Do verdadeiro amor vou, simplesmente, declarar que é autónomo, livre, consciente, sábio e responsável. Porque é autónomo, a sua liberdade supera, imperativamente, todos os condicionalismos, dádivas e recompensas. Supera as iras, os ódios e ressentimentos. A sua cons-
ciência, sabedoria, luz e inteligência despertam no amor existencial a ânsia de se abrir e aceitar a radical fonte, a fonte do amor (o ser ôntico).
Sobre a felicidade, que se manifesta no tempo, mas superando-o, vou declarar que não se herda, não se cria, não se conquista, não se furta, não se constrói, como o amor temporal, que se altera e fenece. Esta felicidade gera-se e brota, espontaneamente, da integração, conexão e sintonia do nosso viver com o nosso mundo transcendental e transcendente. Agora e aqui, somos verdadeiramente felizes, perante todas as adversidades.
Qual é, então, o panorama atual da evolução a que, tristemente, chegaram os nossos comportamentos amorosos? Não quero generalizar nem estender a todo o comportamento amoroso esta nódoa sebácea (as isoladas sensações e emoções), que vão manchar de imaturidade o nosso coração e de debilidade e fraqueza anómalas a nossa mente.
Um tanto ou quanto encostado a Willi Pasini, vou esboroar a carcaça bolorenta e de crostas rijas, que são os atuais e anómalos comportamentos amorosos.
Pasini investigou que todo e qualquer comportamento amoroso, sobretudo entre casais, que não passe pelas emoções fortes e pela craveira da sensação satisfatória, única, intensa e irresistível (sobretudo no campo sexual), está votado ao fracasso, ao descontentamento, ao desinteresse; está votado ao aborrecimento, à saturação e à separação. Muitos comportamentos amorosos, a fim de incendiarem ainda mais a estimulação emocional, enveredam pelas perversões soft, hard, fetichismo, piercing estrategicamente localizado e outros. Em todos estes comportamentos amorosos entre o casal, a tónica recai, sobretudo, no comportamento sexual. Na minha opinião, falta aqui a energia superadora, o adiamento, a calma e a paciência.
Atualmente, os comportamentos amorosos entre o casal entraram em crise. Levanta-se esta escaldante questão: – No casal, devemos apoiar a sua fidelidade ou uma facada na fidelidade? O filósofo Stefano Zecchi e o escritor anglo-paquistanês Hanif Kureishi, entre outros, justificam a infidelidade e rotura entre os casais.
Como explicação desta leviandade e rotura de comportamentos amorosos, sobretudo entre casais e da sua ou não fidelidade, vou afirmar: – O indivíduo, como indivíduo, ainda não se conhece como pessoa; a pessoa, como pessoa, ainda não se conhece como indivíduo.
O indivíduo é um ser, em si, indiviso, que tem o seu fundamento radical na unicidade do seu ser ôntico e este, na sua unicidade, repele a separação, a traição, a facada? É assim que a pessoa se deve ver como indivíduo.
A pessoa, como pessoa, tem por função, em toda a sua globalidade, estabelecer relacionamentos, progressivamente ajustados consigo, com o outro, com o mundo, com Deus. É desta função que o indivíduo tem de ter consciência de si mesmo como pessoa e superar a radicalidade extrema da sensação e emoção.




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