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A medicina geral e familiar

A medicina geral e familiar é uma especialidade na carreira médica que se inicia após um período de internato geral vocacionado para a aquisição de experiência em Unidades de Saúde. Onde, sob a figura do interno, se exercem estágios de aprendizagem tutelados, no âmbito de várias especialidades e em contacto de lide direto com o doente, após a conclusão do curso de medicina. A especialidade de medicina geral e familiar tem um tempo de duração de quatro anos e consta de atividade curricular, aprendizagem profissional tutelada, com uma carga horária de 40 horas semanais, decorrendo em Unidades de Saúde: Hospitalar; Centros de Saúde/Unidade de Saúde Familiar/Unidade de Cuidados de Saúde Personalizados.

Joana Fernandes de Oliveira
17 Set 2013

É a componente de experiência profissionalizante que complementa a formação académica, e que se traduz em uma mais-valia exponencial do conhecimento e do saber, nomeadamente sobre qual é o real estado clínico da sociedade em geral, o que, no âmbito do exercício da atividade médica, assume figura de formação específica num segmento da base da estrutura social que é a família.
A medicina geral e familiar é, hoje em dia, a primeira linha de combate na prevenção da doença, diagnóstico, encaminhamento, acompanhamento e sua evolução centrada no indivíduo, família, o meio e a envolvência. Da prescrição do tratamento indicado. Da redução de danos na saúde pública, entre outros.
A atividade médica de medicina geral e familiar é a “linha avançada” que responde e aplica as práticas exigíveis ao crescendo do conhecimento científico na área da saúde. Prevenção, diagnóstico, acompanhamento, tratamento, cura e paliação.
Porque, a saúde é um bem demasiado precioso para a vida com dignidade, individual e coletiva, a que o cidadão comum reage ou interage, consoante o caso em apreço, e a que todos sem exceções estão atentos por interesse próprio em todos os estadios da sua vida; desde que se nasce até que se morre.
Ao longo da História da Humanidade, a saúde tem sido um dos pontos centrais do estudo, cautelas e preocupação em todas as áreas de atividade e domínios. Tem sido também um vetor de intercâmbio internacional com desígnios claros de aumento da longevidade, com saúde! Ultrapassando ao longo dos tempos as barreiras raciais, culturais, religiosas, políticas, económicas, financeiras, e outras, em todo o mundo! Porque, os custos sociais, económicos e políticos que acarreta, são de sensibilidade extrema. Este intercâmbio tem permitido a troca e partilha de experiências em todas as suas áreas de influência.
É neste contexto que a relevância do médico de família assume foro indiscutível e de responsabilidade acrescida. E que, sem a sua ativa colaboração não é possível, com precisão, apurar quais as variáveis da saúde em crescendo. As que estagnaram. As que recuaram. As emergentes. As de foco epidémico. As ocasionais. As sazonais. E muitas outras a que só uma medicina atenta e em contacto direto com as pessoas pode, e sabe responder. Este é o cenário em que o médico de família se movimenta diariamente. Ouvindo, aconselhando, tratando e quantas vezes… O confidente!
Atrevo-me inclusive a concluir que numa altura em que a crise de vocações atinge picos com índices reconhecidamente consideráveis de desinteresse e de abandono, o médico de família surge para o doente como a única companhia de proximidade disponível sempre presente, e confidente.
A medicina geral e familiar é uma especialidade da atividade médica porque se opta, em prol do bem comum, da defesa da saúde como bem primeiro da existência Humana, e demais premissas conforme o Juramento de Hipócrates feito:
“Prometo solenemente consagrar a minha vida ao serviço da Humanidade.
Darei aos meus Mestres o respeito e o reconhecimento que lhes são devidos.
Exercerei a minha arte com cons-ciência e dignidade.
A Saúde do meu Doente será a minha primeira preocupação.
Mesmo apos a morte do doente respeitarei os segredos que me tiver confiado.
Manterei por todos os meios ao meu alcance, a honra e as nobres tradições da profissão médica.
Os meus Colegas serão meus irmãos. Não permitirei que considerações de religião, nacionalidade, raça, partido político, ou posição social se interponham entre o meu dever e o meu Doente.
Guardarei respeito absoluto pela Vida Humana desde o seu início, mesmo sob ameaça e não farei uso dos meus conhecimentos Médicos contra as leis da Humanidade.
Faço estas promessas solenemente, livremente e sob a minha honra.”
Adotado pela Associação Médica Mundial, 1983




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