Fotografia:
Um olhar em redor

Nesta como que antevéspera do meu regresso a essa monumental Bracara Augusta, após ter permanecido algum tempo aqui nesta praia sossegada, calma, propensa ao repouso e à descontracção, na Amorosa, bem perto dessa tão bela Princesa da Foz do Lima, tempo que aproveito não apenas para renovar energias mas, igualmente, para manter um contacto estreito e diário com este mar que tanto aprecio e sempre me fascinou.

Joaquim Serafim Rodrigues
14 Set 2013

Prosseguindo, e quase inadvertidamente, dou comigo a pensar nessa exposição, ou pretensão, que acaba de ser feita junto das Nações Unidas pela Espanha, no tocante à localização das ilhas Selvagens, alegando que as mesmas se encontram mais perto das Canárias do que da nossa ilha da Madeira. E como tal…
Veremos no que tudo isto dará, se teremos força e argumentos bastantes para replicar em conformidade com os nossos direitos. Entretanto, não posso deixar de lembrar que Miguel de Unamuno, respeitando-nos sempre, dizia que foi o mar que fez Portugal. E o comandante Virgílio de Carvalho, oficial distinto e professor universitário (já falecido) não se cansava de repetir: Portugal sempre deve estar voltado para o mar, que fez dele a única nação independente da península.
Recordo também, a propósito, que já D. João II recomendava após a criação da Espanha (a que ficou faltando Portugal…): “Contê-los em terra e batê-los no mar”. Claro que os tempos são outros e não se alude aqui, sequer ao de leve, a disputas ou a conflitos armados. Mas boa vizinhança e respeito mútuo sim, subserviência nunca!
Durante a Junta de Nobres no Paço de Santos em 1578, a quem D. Sebastião declara os seus propósitos africanos, certo conselheiro religioso disse com ironia: “Porque se busca propagar a fé entre os Mouros? Não seria melhor propagá-la entre os cristãos começando por casa?”. E um outro, detendo-se quanto à oportunidade: “Que o rei deixasse a guerra para melhor ocasião, quando o reino estivesse rico de gentes e de dinheiro e, então, conseguisse a liga dos reis católicos contra os infiéis”.
Nada deteve o monarca, assim ficando decidida a expedição a Alcácer Quibir, que terminou em tragédia originando, mais tarde, a perda da nossa independência durante um longo período de 60 anos!
Socorro-me agora de Oliveira Martins, meu historiador preferido e que o próprio Miguel de Unamuno tanto apreciava: “D. Sebastião desejava cobrir-se de glória em combate contra os Mouros. A África seduzia–o; mas não tinha planos políticos, nem paciência para ir lentamente corrigindo, encaminhando a nação. Um grande milagre, ou uma grande catástrofe, qualquer coisa extravagante e nunca vista, eis o seu desejo, a sua ambição”.
Voltando ao tema que motivou esta crónica: como é evidente, quanto às Selvagens, não são esses rochedos propriamente que estão em causa, nem os passarinhos que lá se abrigam, os quais o Presidente da República acarinhou e anilhou enquanto decorriam no continente reuniões entre os chamados partidos do arco da governação, com vista a encontrarem soluções do maior interesse para o futuro do país, reuniões preconizadas por ele mesmo chefe de Estado. Não, não são esses rochedos. O problema é outro, trata-se de uma área marítima importantíssima da nossa ZEE (zona económica exclusiva), correndo o risco de ficarmos cada vez mais confinados a umas escassas milhas de mar a partir da nossa costa.
Muita atenção portanto!




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