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Rios de chamas

Diz G. Papinni que o “homem adorou o fogo como um Deus e receia-o como elemento demoníaco. Quando o acende (para necessidades próprias), sente-se feliz como uma criança possuidora de uma força nova, mas quando ardem florestas ou cidades, o homem fica aterrorizado pelo monstro faminto e invencível”.Portugal, após o início desta (última) república e até hoje, tem sido o “monstro invencível” em fogos, tem tido verdadeiros rios de chamas duma ponta a outra do país. Oito bombeiros mortos no combate a incêndios num só mês são desgraça nacional, porque económica, política e familiar.

Artur Soares
13 Set 2013

Económica porque Portugal paga mil e oitocentos euros à hora por cada aparelho aéreo no combate aos fogos; porque a floresta ardida passa a ser vendida a tostão e meio o quilo para engordar os interesses de alguém.
Desgraça política porque não tem existido governantes com capacidades para minimizarem este problemão que a todos deixa em estado de estupefação e choque.
E se Portugal teve o arrojo, a cegueira suficiente para comprar submarinos no valor de pelo menos setecentos milhões de euros, porque não compraram doze aviões cannadair que custavam apenas metade dos submarinos?
Se o país paga a empresas privadas de aviões para combaterem fogos, como podem estas empresas “ganhar dinheiro” se não existirem fogos?
Há caçadores que afirmam em qualquer local e junto das televisões, como anónimos, que “enquanto se pagar em Portugal para caçar nunca os fogos deixarão de existir”. Há donos de rebanhos que dizem que só com “rebentos novos no solo o gado tem possibilidades de pastar bem”.
Os terrenos propícios a fogos, não se limpam e os acessos a esses terrenos – grande maioria – não se fazem.
Afirmam tantas vezes os políticos aos órgãos de informação que na maioria dos fogos há “mão criminosa”. Mas haverá alguém que tenha dúvidas de que não é assim? Não inventam alguns defensores bem pagos “mentalidades diminuídas”, “ébrios ou loucos” como autores do fogo?
Em 2001 em Bragança uma senhora não testemunhou a uma televisão que viu cair por baixo de um avião uma morraca de fogo?
E dizia um piloto de um cannader há dias, sobre os fogos: “parece impossível como Portugal, um país tão pequeno, tenha tantos fogos e fogos simultâneos”!
Há necessidade absoluta de olhar ou averiguar com firmeza a razão dos fogos. Os criminosos têm que cumprir penas que doam, que abalroem as ideias ou “lucro roubado”. Tantas famílias vivem com a ajuda da venda da floresta e os familiares daqueles que morrem a apagar incêndios não têm a obrigação de ver “partir” esta gente corajosa em quatro tábuas, como este ano viram os seus (nossos) oito bombeiros.
O interesse na existência de fogos é realidade. Pinheiros e outras árvores, pouco ou nenhuma qualidade perdem para os fins a que se destinam e, os “chicos espertos” estão sempre atentos em “fazerem o favor” ao lesado de lhe cortar a madeira pelo preço que querem.
Não se entende que empresas privadas – ou empresas dos amigos? – sejam chamadas a apagar fogos e a ganharem rios de dinheiro como sempre tem acontecido nestas últimas três décadas e meia! Não se entende que tendo o país os militares nos quartéis a serem remunerados, não exista um programa de vigilância e patrulha apeada (de dia e de noite) nas áreas sensíveis durante os quatro meses mais perigosos.
Assim, poder-se afirmar que há quatro décadas que Portugal não tem líderes políticos que tenham astúcia, sabedoria e capacidade de resolverem os problemas do país e, como a evidência não necessita ser provada, reflitamos: como governa e para quem governa esta gente?
Nos Estados Unidos da América, em várias circunstâncias e para diversas situações, certos líderes ou autoridades perguntam a Americanos: “que fizeste ou que tens feito pela América”?
Pergunte-se isso a milhares de rufiões deste Portugal, os tais que aparecem de camisa e gravata e com botões de prata ou ouro nos punhos da camisa, o que têm feito por Portugal!
A mim, quem de direito, façam-me a mesma pergunta e adicionando-lhe esta: “que fez o país por ti”?




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