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Pagadores de promessas

Sabido é que as épocas eleitorais férteis sempre são em ações de benfeitorias e benemerências; sobretudo, no pagamento de promessas com muitas inaugurações apressadas, cortes constantes de fitas, chapeladas e muitas, muitas juras de amor e uma cabana, à mistura. E isto acontece, obviamente, por parte de quem se recandidata à manutenção do poder ou, então, de quem se apresenta à sucessão, na velha e ousada forma de evolução na continuidade; assim, porque peças sincrónicas da engrenagem, são estes os naturais pagadores de promessas.

Dinis Salgado
11 Set 2013

Ora, o país vive, já há longo tempo, mesmo sem a abertura solene e legal, em intensa campanha eleitoral para as autárquicas de 29 do presente mês; e com esta insólita singularidade: há autarcas que, por força da justíssima, embora equívoca, lei de limitação de mandatos, não podendo recandidatar-se às suas Câmaras Municipais, tentam o assalto a outros concelhos, mesmo que pouca ou nenhuma identificação com eles admitam; porque, no fundo, o que parece movê-los, embora tentem convencer a populaça das suas nobres e puras intenções de interessada filantropia e naturalíssimo exercício de cidadania, é a manutenção do poder pessoal e os interesses de grupos e clientelas político-partidárias.
Mas, vamos antes ao que aqui hoje nos trouxe e mais importa: à conquista da Câmara Municipal de Braga apresentam-se cinco forças políticas, das quais uma, o Partido Socialista, candidata o atual vice-presidente que, dada a sua condição de autarca em exercício, bem pode, naturalmente, ser um candidato pagador de promessas que o passar do tempo olvidando foi.
É o caso, por exemplo, que um indefetível leitor destas Nortadas e muito atento cidadão às coisas e causas da nossa cidade, há dias me referiu: quem deambula pelo lado norte da Avenida Central em direção à Arcada, ao cruzar com a rua de S. Gonçalo depara-se com um semáforo escondido e que, assim, funciona mais como armadilha ou alçapão do que como proteção aos peões.
E isto acontece porque a esquina do edificio das Convertidas tapa este indicador de paragem ou avanço de quem circula a pé. Então, os carros que descem a referida artéria um constante perigo são para quem ali a cruza. Diz-me o bom leitor que já assistiu a cenas de eminentes atropelamentos, sobretudo de crianças ou idosos, capazes de gelar o sangue a qualquer mortal.
E mais acrescenta que prometido lhe foi, há mais de sete luas e sete sóis, por quem de direito, obviamente, na circunstância, penso que o pelouro do trânsito da Câmara Municipal, a resolução deste momentoso problema que, de tão básico, nem de muito tempo ou dinheiro precisa.
Só que, até hoje, tudo como dantes, quartel-general em Abrantes e o semáforo lá continua envergonhado, escondido, armadilhado. E os indefesos peões sujeitos a levarem uma valente e, quem sabe, fatídica traulitada.
Assim sendo, aqui lançado fica o repto ao referido candidato para que, agora, sendo boa a hora e a alta a maré, porque não pagar, mesmo que dela não tenha a autoria, esta velha promessa? O povo que é quem mais sofre as consequências agradece.
Depois, e porque em campanha eleitoral as ações espetaculares conquistam sempre votos, se fosse comigo, assim a modos de nobre e zenónico romeiro, caminharia da Câmara Municipal até ao edificio das Convertidas de joelhos, em jejum e sem fala. Sei que é uma forma severa de penitência, mas, que diacho, pelo tempo que já leva a promessa…
E igualmente, assim, talvez deixássemos de praguejar:
– Porra, vai cá uma nortada!
Então, até de hoje a oito.




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