Fotografia:
A tela

Um dos grandes paradigmas da atualidade, que está na génese de inúmeras inovações tecnológicas, culturais e científicas, é sem dúvida alguma, o paradigma da facilidade ou da agilidade. A capacidade de agilizar um processo, seja ele humano ou tecnológico, de modo a que seja possível realizar um maior número de operações num menor período de tempo, tornou-se um dos grandes objetivos do desenvolvimento civilizacional. Este movimento intelectual acabou por dominar a restante cultura, veja-se, por exemplo, grande parte da arte (Pintura; Música; Cinema; Literatura) que abdicou da maturação, introspeção e profundidade, para dar lugar ao abstrato, à ausência de técnica e à confusa expressão artística.

Diogo Bronze
11 Set 2013

Nas redes sociais, a influência desta lógica é a mesma. A facilidade domina a partilha e a interação. De tal forma assim o é, que se torna complexo o discernimento sobre quais os limites da exposição pública e pessoal, pois é tão fácil mostrar e divulgar, basta um “click” nem sempre bem pensado.
Ponderamos convenientemente, tal como o artista quando pinta, ou o músico quando compõe, qual o impacto que as publicações têm no mundo virtual?
No pintor, assim como no músico ou no escultor, aquilo que produzem é espelho do que pensam e sentem, mas ainda assim é algo totalmente externo a estes, é produto do seu trabalho. Já a vida pessoal de cada um, a “partilha” de imagens e de momentos que deveriam ser de cariz essencialmente íntimo, não são um mero elemento externo, nem simples trabalho para divulgação pessoal, é a própria vida, que pelo valor que tem merece ser reservada e entregue a um restrito grupo, isto é, à família e aos amigos (não os “amigos”), sob o risco de perder o seu valor essencial e de se tornar mundana, em prol de uns quantos aplausos.
Pode parecer interessante alinhar na lógica da super-exposição pessoal, mas também será conveniente perceber se vale a pena, se os benefícios superam os malefícios.




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