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Não, não te encostes a mim…

1 – O regresso do perigo a que alude a canção de Jorge Palma). Poética e inspiradíssima mas algo enigmática, a célebre canção de Jorge Palma “Encosta-te a mim” regressa à memória de muita gente, a propósito da ameaça de ataque americano à Síria, pendente neste momento (escrevo em 3 de setembro de 2013). Nós, as pessoas conscientes, pacíficas e normais, não estamos interessados em mais desestabilizações sérias da paz mundial. As quais podem (como é o presente caso da Síria) dar lugar a um grave alastramento da beligerância.

Eduardo Tomás Alves
10 Set 2013

Não digo que vá começar uma “3.ª Guerra Mundial” (há-de haver infelizmente muitos inconscientes e outros maluquinhos que só de ouvirem esta expressão ficam logo todos empolgados…) mas este assunto da Síria (como antes o do Iraque…) tem um peso que pelos vistos escapa ao comum dos analistas políticos. Vai para o ano que vem fazer 100 anos, foi assim que começou em Sarajevo a Guerra Mundial de 1914-18, com um “simples” atentado mortal, bem sucedido, contra os herdeiros do trono do Império Austro-Húngaro, Francisco Fernando e esposa, de sagrada memória. Os grandes incêndios começam com um simples fósforo. A vasta maioria dos europeus (inclusive, é claro, nós portugueses) não queremos mais guerras, mesmo que estas sejam rápidas vitórias do armamento americano. Estas “vitórias” geram com frequência ondas de terrorismo vingativo, das quais, como se viu, nem Londres ou N. Iorque (bem culpadas…), nem Madrid estiveram a salvo. Da próxima, Lisboa, Porto, Braga, estarão? Por favor, América, Israel, islamistas, “não vos encosteis a nós”. Não temos nem queremos ter nada a ver com a vossa vida.

2 – Os EUA não avaliam a triste imagem que com todo este militarismo dão de si próprios). As pessoas cultas e pacíficas de todo o Mundo não têm por hábito ficar fascinadas perante a força bruta. Perante a precisão letal de um “drone” (bombardeiro não tripulado) ou de um míssil tele-guiado. Perante a previsível (e normalmente covarde) vitória dos grandes e fortes sobre os fracos e pequenos. Perante a ideia de um determinado Estado se arvorear impunemente em pseudo-polícia do Mundo. Quando eu era miúdo, a América de Nixon e Ford era um país pacífico, simpático e respeitável, empenhado em sair da melhor maneira possível da guerra da Indo-China, procurando garantir a vida e segurança de todos os vietnamitas, laocianos e cambodjanos que defendiam  os seus países da agressão comunista (viet-cong). Os nossos heróis eram os fantasiosos cow-boys e o 7.º de Cavalaria, John Wayne, Gary Cooper, Dave Crocket, o gen. Custer e mesmo alguns “índios” (Jerónimo, Touro Sentado). Com Reagan, Clinton e Bush (filho) a América mudou imenso e para pior. Porém, com o cinema, o “rock” e os computadores, soube manter os níveis de popularidade, apenas mudando de “clientelas”. Só que os actuais  adeptos da América não têm a mesma classe, inteligência e cultura daqueles que o eram na minha infância. E isso é péssimo, para os dois lados…

3 – A segurança de Israel e a treta das “primaveras árabes”). Diz a Bíblia que a pátria arcaica da nação israelita é Ur, na Caldeia (SE do Iraque), de onde fugiram no tempo de Abraão. Talvez por isso os judeus se sintam hoje no direito de, dia sim dia não, “partirem a louça” em qualquer dos países do Médio Oriente. Eu não sou contra a existência do estado de Israel (o “Eretz”), porém divirjo de que a melhor política para o defender seja a de cultivar a inimizade e agressão real, como vem acontecendo, contra a maioria dos povos árabes (e islâmicos) da região. Sobretudo depois que os judeus do séc. XX, com todo o seu poder financeiro e político, “capturaram” os EUA para a sua estratégia local e mundial. Insere-se nesta última, o recente fomento de revoltas armadas e infiltradas por mercenários que deram corpo às chamadas “primaveras” árabes. Aliás, algumas destas “sairam pela culatra” (Egipto, Tunísia, Líbia), causando o aumento do radicalismo religioso ou a própria divisão nacional (Líbia, Iémen). Ironicamente, quem mais precisava (Argélia ou Turquia) escapou incólume.

4 – A Rússia, sempre em perda). Em apenas 25 anos Moscovo perdeu o celeiro da Ucrânia, a Bielo-Rússia, a Moldávia, Geórgia, Arménia, Azerbaijão, os 3 países bálticos, o gigantesco Cazaquistão e os vastos Turcomenistão, Uzbequistão, Kirguízia e Tadjiquistão. Em 80, com Brejnev, procurava uma razoável saída para o Índico. Hoje, é o que se vê. Até as parcas facilidades que tem, oferecidas num porto da Síria, lhe são postas em causa, embora o Comunismo já esteja na prateleira desde há quase 30 anos… O regime laico da Síria (que como o antigo Baas do Iraque é inspirado na Itália de Mussolini) tem sido estável aliado da Rússia. Atacar a Síria não será atacar a Rússia? Os diplomatas serão todos serventes de Israel? Obama não é prémio Nobel da Paz? Em caso de conflito, o petróleo não vai subir em flecha? E não é verdade que Assad tem protegido a minoria cristã? Não terão sido os rebeldes que usaram as, até agora fictícias, armas químicas? É que também não as havia no Iraque, lembram-se? Não bastaram  Abu Graib e as execuções de Kaddafi e Saddam Husseyn? Ninguém teme o aumento do Islamismo? É que, não fossem os tabus do álcool e da carne de porco e seria possivelmente como fogo num palheiro… Alerta, meus bons amigos.




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