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Fim de um ciclo

Acabado o período de tranquilidade que as férias sempre permitem, de volta à azáfama do quotidiano, eis-nos mergulhados no habitual bulício, agora ampliado pelo ruído que as campanhas eleitorais sempre originam. Braga e o seu concelho não escapam a esta realidade e, por todo o lado, as variadas candidaturas concorrentes às Eleições Autárquicas aproveitam os dias que ainda restam para cativar votos. Acresce que o fim dos sucessivos mandatos do Eng.º Francisco Mesquita Machado torna o próximo ato eleitoral verdadeiramente excecional e determinante para o futuro de todos os bracarenses.

J. M. Gonçalves de Oliveira
10 Set 2013

Não pretendendo menosprezar ninguém, é evidente aos olhos de toda a gente que as candidaturas de Ricardo Rio e Vítor Sousa monopolizam a maioria das atenções e só elas podem ambicionar ao triunfo no próximo dia vinte e nove sendo certo que, nos estudos de opinião vindos a público, o líder da coligação “Juntos por Braga” aparece com uma significativa vantagem. Uma superioridade nas intenções de voto que apesar de lhe dar um conforto satisfatório não deve permitir o afrouxamento das suas hostes. Pelo contrário, deve ser ser uma razão acrescida para reforçar a mobilização que há muito se sente e que deverá culminar com o fim do poder instalado há trinta e sete anos.
Pressente-se nas mais diversas tertúlias bracarenses que abordam o tema das próximas eleições um presságio de mudança que só a maioria dos votos pode concretizar. Sussurra-se, um pouco por todo o lado, a vontade de mudar de protagonista na condução dos destinos da cidade, mas só o recrutamento sem abrandamentos até à sua materialização nas urnas pode permitir.
A história das últimas décadas de Braga está ligada ao extenso percurso de Mesquita Machado. Alicerçando o seu sempre renovado poder na sedimentação de ancoragens e granjeando apoios em todos os quadrantes da sociedade bracarense, foi-se fazendo eleger com manifesto apoio popular.
Ao longo de tantos anos a cidade cresceu, alargou-se e, paulatinamente, mudou de rosto. Beneficiando do crescimento exponencial da Universidade do Minho, viu aumentar, muitas vezes com muito mau gosto, o seu parque habitacional. Teve investimentos importantes em infraestruturas básicas – distribuição de água e saneamento. Foi dotada de novas acessibilidades e passou a ter maior superfície, tendo em conta a quantidade de parques subterrâ-neos. E, em certos momentos cruciais para a manutenção do poder instituído, não deixou de erigir obras simbólicas de que são bons exemplos o Parque de Exposições e o novo Estádio Municipal.
Enfim, não é possível escrutinar em poucas palavras tudo o que foi acontecendo em Braga e no seu concelho, desde o longínquo ano de 1976. Porém, não é difícil eleger a destruição e descaraterização de muito património com valor arquitetónico e os erros de planeamento e ordenamento das novas áreas urbanas como os defeitos mais clamorosos. Ambos determinam indelevelmente o futuro da cidade.
Aproxima-se o fim de um ciclo. Caberá aos vindouros, despidos dos sentimentos que sempre influenciam o ato de avaliar, escrever com suficiente afastamento este pedaço da história da metrópole bracarense. Aos cidadãos do presente compete fazer a escolha que possibilite abrir um caminho de progresso, onde seja possível diversificar o modelo de desenvolvimento e minorar os equívocos do passado. Um diferente rumo a ser percorrido por uma distinta geração, com ideias modernas e sangue novo.
Não resistindo a citar o maior dos poetas portugueses – Luis Vaz de Camões – “Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, /Muda-se o ser, muda-se a confiança;/Todo o Mundo é composto de mudança,/Tomando sempre novas qualidades…” penso que está na hora de Braga escolher um projeto de mudança e abraçar um futuro sem as amarras do passado.
No fim de um ciclo, acredito que está próxima a última batalha.




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