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O turismo e a imagem de Braga

Braga detém um património material e imaterial de valor incalculável, revelando-se um retrato compósito de estilos: romano, medieval, barroco, entre outros. A fonte do Ídolo, as ruínas nas Carvalheiras, as termas em Maximinos, o teatro no Alto da Cividade, são alguns dos vestígios da presença romana neste espaço geográfico então designado “Bracara Romana”, uma das grandes cidades do Império segundo o entendimento de Ausónio, prefeito da Aquitânia e a maior do território agora designado Portugal.

Sofia Marques
9 Set 2013

A torre de menagem do castelo, o pano da muralha e a porta gótica por detrás da Arcada, as torres da muralha nos largos da Porta Nova, Paulo Orósio e de Santiago são expressão do período medieval.
Já o barroco através da mestria de André Soares, Marceliano de Araújo ou Frei José Vilaça é tão visivelmente notório que elevou a cidade a “capital do Barroco”.
A riqueza das suas tradições, artes e ofícios, gastronomia e vinho verde, assim como as suas festividades – o São João, as celebrações religiosas da Semana Santa, o Lausperene Quaresmal instituído por Dom Rodrigo de Moura Teles – são outras das preciosidades da cidade.
Tem-se apostado na Semana Santa, declarada de interesse turístico, no São João e, mais recentemente, na Braga Romana. São de elogiar estes esforços e fomentar estas iniciativas, consolidando-as como produtos turísticos de referência e excelência. No entanto, para captar e atrair visitantes, não basta uma política de promoção e divulgação dos seus eventos.
Uma cidade que pretende desenvolver o turismo requer, por um lado, uma estratégia de planeamento integrado, devidamente articulada com as políticas de outros sectores socioeconómicos rumo à conquista da sustentabilidade, qualidade e competitividade e, por outro, exige a criação de uma imagem de marca que se pretende única, ímpar e diferenciada, apresentando-se as marcas urbanas como «processos estratégicos para o desenvolvimento de uma visão a longo prazo para os lugares, tornando-os relevantes e envolventes, influenciando positivamente a percepção dos locais» e, acima de tudo, capazes de aditar valor económico.
Neste contexto, consideramos que aquilo que melhor caracteriza e identifica a cidade é a cristandade perpetuada em cada igreja e capela que se nos deparam ao virar da esquina. Braga tem toda uma história em torno da mais importante figura representativa do poder espiritual no reino, o seu Arcebispo, por sinal, Arcebispo de Braga e Primaz das Espanhas. Quer se queira ou não, quer se goste ou não, quer se seja crente ou não, quer se professe outros credos religiosos ou não, Braga tem a sua imagem conotada com a Igreja, com os seus Arcebispos e com as suas obras. Até mesmo os sinos que, noutras cidades e regiões, já se encontram votados ao esquecimento, ignorados e silenciados, continuam aqui a badalar, espantando, deslumbrando, encantando e enchendo de júbilo quem nunca os ouvira. Não é por acaso, também, que é aqui, nesta cidade, que a tradição sineira prossegue de geração em geração com a família Jerónimos.
Por tudo isto, e porque a cidade já fora conhecida como Roma Portuguesa, em virtude do Arcebispo
D. Diogo de Sousa ter redesenhado a cidade de acordo com os parâmetros do Renascimento, fazendo emergir inúmeras praças e igrejas à semelhança daquilo que encontrara em Roma, por que não associar este título à imagem de marca da cidade?
A Semana Santa preenche uma semana do ano. O São João vitaliza a cidade durante alguns dias. A Braga Romana recria o espírito da época também, apenas, durante alguns dias, assim como diversos outros eventos e actividades. Contudo, as igrejas da cidade, os espaços agora civis mas que foram pertença da Igreja, permanecem ao longo de todo o ano, de Janeiro a Dezembro, esperando que os visitantes os descubram e se extasiem com os seus tesouros artísticos e culturais.
Braga, a Roma Portuguesa! Esta é, em verdade, a imagem que se sobreleva às outras. Por que não a adoptar, então? No entanto, é necessário não descurar a espiritualidade que lhe está associada, e revelar, em cada momento, os valores que lhe são afectos, de modo que os visitantes maravilhados pelas obras da fé dos homens, sintam o desejo de regressar à cidade que os faz transpor os umbrais das catedrais e igrejas em prol de uma experiência de encontro consigo próprios e com Deus.
Para tal, há que ultrapassar rivalidades e diferendos porque o turismo não vive de cisões nem de costas voltadas e o progresso e o desenvolvimento não se realizam na desunião.
União, coesão e integração de todas as forças vivas da cidade e região – autarquia, igreja, associações, fundações, museus, universidades, entidades públicas e privadas, comerciantes, lojistas, população – em prol de um mesmo e único objectivo, é o que se exige para a criação da marca “Braga a Roma Portuguesa”!




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