Fotografia:
Outro ponto de vista…

Na televisão pública, designadamentena RTP Informação,
tem passado uma
série da responsabilidade do jornalista
Joaquim Furtado com o
título genérico “A guerra”, que
versa sobre a considerada guerra
do Ultramar.

Acácio de Brito
6 Set 2013

Série muito bem elaborada, com
testemunhos que revelam um profundo
conhecimento e que permitem
a muitos de nós perceber alguma
coisa sobre um período importante
de Portugal e dos Portugueses.
Com imagens, algumas chocantes,
mas o que verdadeiramente
me impressionou foi ver e ouvir
alguém afirmar a sua cobardia,
quando no seu depoimento,
disse que avisava os então considerados
inimigos, dos movimentos
das tropas que confiavam no
seu comando.
Estou a referir-me a um capitão
que de modo absolutamente lastimável
apresentou a sua versão
que envergonha a farda a que
ele seria obrigado a prestar devido
tributo. A situação ocorreu
na Guiné.
E a propósito da Guiné, nesta reflexão,
gostaria ainda de trazer à
colação a vergonha que para todos
nós significou a morte de muitos
antigos combatentes, de cor não
branca, na década de 70, acusados
de um único crime, terem
cumprido bem as suas obrigações
na defesa de um ideal.
Agora, em tempo de uma visão
patrioteira, em que parece que pertencer
à seleção da bola é quase
representar a Pátria, o exemplo
do Bruma é elucidativo dos
tempos que correm.
Espero é que no nosso dirigismo
desportivo impere bom senso.
Para se fazer parte de uma seleção,
isto é, a escolha dos melhores
nacionais em determinada
modalidade, tem de bastar e
ser razão suficiente a nacionalidade.
Tem de haver domínio da língua,
tem de se pertencer ao quadro
normativo nacional.
Dizerem-me que o Bruma pode
representar Portugal, no contexto
atual aceito, até porque a seleção
da federação de futebol goza
do alto patrocínio de uma conhecida
marca de cerveja, entre outros,
nomeadamente, em tempos
até o BPN.
Agora não me venham é com o
discurso da Pátria. O que interessa
a muitos dos rapazes selecionáveis
e seus apaniguados
são os bons negócios que por
aí vão fazendo.
Honrar a Pátria é sobretudo não
esquecer todos aqueles que a vida
deram e nada receberam em troca,
muitas vezes nem o nosso
atrasado reconhecimento e agradecimento.
Esses sim são a verdadeira seleção
de todos nós.




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