Fotografia:
Destralhar

Qualquer empresa, habitaçãoou qualquer ambiente, naturalmente
acumula tralha.
Mesmo o homem, no aspecto espiritual
acumula-a. Desse modo, de
tempos-a-tempos há interesse em
destralhar a tralha, joga-la fora e
aproveitar bem os espaços para
coisas mais essenciais.

Artur Soares
6 Set 2013

A Troica em Portugal, bem ou
mal, justa ou injusta, oportunista
ou não, preservando os seus interesses
“mete o nariz” na vida nacional
e apontou a tralha a jogar
fora para que sobrevivamos.
Entre as cerca de três dezenas
de problemas apontados que esmagam
o país – e que se cumpridos
por estes dois últimos governos
– a crise nem era sentida
e muito menos assaltavam os
bolsos do povo. Gastam-se, segundo
eles, milhões, largos milhões,
em mordomias no aparelho
do Estado.
A tralha número 8 apontada pela
Troica a abater, era o Financiamento
aos Partidos políticos que
o Estado faz. Entendem eles que
estes clubes deviam quotizar-se e
trabalharem nos partidos para angariação
de fundos com a mesma
competência que exigem a todos
os outros.
Bem se sabe que os Partidos Políticos
em Portugal estão viciados.
São habitados por pessoas banais
da sociedade, salvo raríssimas exceções;
procuram privilégios, cargos
devidamente remunerados e
em que a qualidade moral, social,
académica e outras virtudes mais,
estão em paradoxo quanto ao serviço
público desejável. São cidadãos
empurrados para os Partidos
e até pouco se importam de andar
com baldes de cola aos ombros
a colar cartazes. Acumulam
habilidades, aprendem a ser enguias
inalcançáveis, aprendem a
ser indiferentes com os problemas
sociais e gravitam permanentemente
à volta das televisões
como os ratos nos esgotos e, o
povo, baralhado com a vida, com
alguns confeitos distribuídos e
mal adocicados em tempo oportuno,
não pensa, não sabe escolher
e facilmente se deixa tragar
pela tralha que, sub-repticiamente
lhes vai cortando a liberdade
de pensar.
Dessa forma, e como muito bem
escrevia há dias atrás o Bastonário
da Ordem dos Advogados, Dr.
Marinho Pinto, estes governantes,
devido à incultura política da maioria
dos portugueses, “correm atrás
de nós para nos roubar aquilo que
em cada dia temos menos”.
A pobreza tortura o país; os sacrifícios
de taxas e impostos criam
a necessidade da ida aos psicólogos;
o crime organizado ganha
estatutos e os suicídios – muitos
não são anunciados – são já coisa
normal entre nós.
“A pobreza – afirma muito bem
C. Cohen – derrota regra geral a
democracia e torna a participação
pouco informada e superficial mesmo
que divulgada. Somente a justiça
social atenta e permanente ativa
pode permitir cidadãos imbuídos
de espírito público”.
É dever dos políticos, representantes
do povo que os elegeu, saberem
as necessidades, os anseios
e os desejos de todos, uma vez
que este “saber” ou esta ação é o
suporte da política, é o testemunho
“do serviço” e a tranquilidade
das famílias, dos meios de produção
e da paz. Só assim sendo se
poderá dizer que os governantes
se justificam e que a comunidade
vai vivendo segundo a vontade
da nação.
Para desgraça nacional, não foi
assim que serviram o povo José
Sócrates e, o atual Pedro Passos
Coelho tem sido um fracasso,
uma doença na política desta
terceira república.
Põe de lado as vinte e nove zonas
(cancros) do Estado, propostas
pela Troica, em que era preciso
deitar pelos esgotos abaixo
a tralha que abafa dez milhões
de portugueses. Indiferente
e gélido à fome, virado
exclusivamente para a rapacidade
contra os mais débeis, chama
de insensatos aos elementos
que vigiam e protegem a Constituição
da República e apresenta,
por isso mesmo, todos os tiques
dum primeiro-ministro desorientado,
incompetente ou desejoso
de ser futuro Presidente
do Conselho de Ministros de antes
do 25 de Abril.
Creio que não foi a política deste
homem que o povo escolheu.
Embora vivendo Portugal “tempos
difíceis” – a nossa pobreza e
mendicidade já tem muitas dezenas
de anos – o povo sabe que
tudo tem solução, aceita sacrifícios,
só que, nunca deste modo,
nunca extinguindo a dignidade e
o carácter que sempre identificou
Portugal.




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