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Interpretando assuntos… deste verão

Diz o nosso povo na sua sabedoriaprática e multissecular: ande o verão
por onde andar, pelo São João
cá vem parar!… Os festejos sanjoaninos já
foram há quase dois meses. No entanto, o
verão deste ano trouxe-nos os mesmos ingredientes
como nos anos transactos: fogos
e acidentes, festas e festivais, praias e
luxos, férias e devaneios, tricas partidárias
e campanhas eleitorais… Talvez tenha sido
neste último ítem que possa ter havido alguma
diferença, pois, no último domingo
de setembro, somos chamados a votar para
novos órgãos autárquicos!

António Sílvio Couto
3 Set 2013

= Fogos e acidentes
Houve momentos em que o país real – isto
é, onde vive o povo que sofre e luta e não
para uns tantos ‘citadinos’ acomodados (*)
– esteve a ferro e fogo: centenas de incêndios,
bombeiros que morreram de forma directa
ou indirecta no combate às chamas,
povoações em risco e haveres consumidos,
múltiplos meios de socorro… milhares e milhares
de hectares de floresta ardidos e alguns
incendiários (uns tantos reincidentes)
apanhados na rede… mas talvez nunca sejam
castigados. Por seu turno, as estradas
– sobretudo as não pagas através de portagens
– encheram-se de veículos. Houve
dias em que, no mesmo percurso, morreu
quase uma dezena de pessoas. Nem o policiamento
mais apertado em certos dias ou
tão pouco as multas cada vez mais elevadas
conseguiram disciplinar os condutores…
Parece que as pessoas não aprendem com
os erros alheios nem sequer com os próprios!
Quem não se cuidar na estrada corre
sério risco de vida, tais são as manobras
perigosas e as pressas de uns tantos
habilidosos na arte de mal conduzir… E não
são só os outros!
Tem sido um verão de luto. Até quando teremos
de suportar tanta inconsciência colectiva?
= Festas e festivais… mais futebóis
Podem dizer que o dinheiro está curto e
que há crise, mas os mais variados festivais
de música (de norte a sul e com pequenos
intervalos) estão cheios de gente
e os custos – directos e indirectos –
são razoáveis. Talvez seja hoje – para algumas
pessoas – uma espécie de estatuto
de estar ‘in’, quando vão ou dizerem ir,
bem como permitirem que os filhos vão…
a tais acontecimentos ‘religiosos’. Parece
que de uma ‘religião’ se trata nesse ritual
dos festivais, sejam ou não patrocinados
por empresas de telecomunicação ou entidades
fornecedoras de bebidas… Importa
estar por lá ou, ao menos, vir sujo de pó
(o próprio ou o carro) e com algum adereço
que faça pensar numa nova intelectualidade…
de fachada!
Agora que começou a época desportiva, é
bom de ver os estádios a encherem-se de
adeptos, questionando os resultados e discutindo
as táticas… Dizem que não há dinheiro,
mas para a bola sempre se arranja
umas notas, porque de trocos estamos
falados!
= Em tempo de campanha… férias e
praias
Já vemos os cartazes para as próximas eleições
autárquicas. Uns mais sérios, outros
mais apelativos; uns com mais gente, outros
só com as figuras mais visíveis; uns
mais coloridos, outros já parecem desbotados…
No entanto, há um novo ‘adereço’
– desculpem o epíteto, mas de pouco mais
nos apraz registar – nesses cartazes que
é confrangedor: todos metem uma ou outra
mulher… por entre uma maioria de homens
já conhecidos ou a despontar para
as lides da votação. Dizem que é por causa
das quotas da ‘lei da paridade’, onde
por cada dois homens tem de estar uma
mulher. Desgraçada lei, que usa as pessoas
(mulheres) e os que as usam (homens)
pouco se importam de as exporem
ao ridículo… ou assim parece!
Pelo grande e elevado respeito que me merecem
as mulheres – senhoras, mães, filhas,
irmãs, esposas, etc. – não gosto de vê-las
a serem usadas como se fossem material
publicitário em maré de degradação social
e cultural. Por isso, mulheres façam-se respeitar
e mais do que objectos sejam pessoas
com dignidade, já!
(*) Não vimos nem ouvimos a dizerem
nada sobre a vaga de fogos: o Presidente
da República, o Primeiro Ministro, os
líderes partidários de qualquer quadrante,
os dirigentes sindicais… nem os responsáveis
da Igreja!




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