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Para não escandalizar…

Leio no Evangelho de S. Mateus (17, 24-27): «Quando chegaram a Cafarnaum, os cobradores das didracmas (um imposto anual que se costumava pagar para o templo) aproximaram-se de Pedro e perguntaram-lhe: ‘O vosso Mestre não paga a didracma?’ Pedro respondeu-lhes: ‘Paga, sim’. Quando chegou a casa Jesus antecipou-se e disse-lhe: ‘Simão, que te parece? De quem recebem os reis da terra impostos ou tributos? Dos filhos ou dos estranhos?’E como ele respondesse que era dos estranhos, Jesus disse-lhe: ‘Então os filhos estão isentos. Mas para não os escandalizarmos (…) paga-lhes o imposto por mim e por ti’». 

Silva Araújo
29 Ago 2013

Sei haver pessoas que não lêem os Evangelhos. E os que os lemos, falo por mim, nem sempre os levamos para a vida. E é pena.
Uma das tragédias que se abateu sobre a nossa sociedade foi a do laicismo mal interpretado. Foi a de considerarem Jesus persona non grata, ao ponto de não tolerarem a presença da Sua imagem em lugares públicos (Ainda lhes não deu para alterarem a era cristã…)
Com o afastamento do Crucifixo põe-se de lado toda a mensagem que ele representa. Uma mensagem que é verdade, justiça, amor, paz. Uma mensagem que é perdão e reconciliação. Uma mensagem que é serviço e doação aos outros. E o resultado está à vista.
 
Para os não escandalizarmos…
Há decisões que se não tomariam se tivesse havido o cuidado de não escandalizar. Sim, porque há comportamentos que são escandalosos. É escandalosa a forma como às vezes pessoas de muita responsabilidade se aproveitam das situações em que se encontram. É escandalosa a forma como às vezes se gerem dinheiros públicos. É escandalosa a forma como às vezes se fazem fortunas. É escandalosa a existência de certos negócios. São escandalosos os critérios seguidos na seleção de pessoas, onde imperam o compadrio e o clientelismo. É escandaloso o fosso cada vez maior entre ricos e pobres. É escandaloso o quantitativo de certas reformas. É escandalosa a existência de certas mordomias e de certos privilégios. É escandalosa a existência de pessoas que, tendo razoáveis pensões de reforma, continuam no ativo, contribuindo para que aumente o desemprego. Como são um escândalo as desnecessárias situações de pluriemprego. É escandalosa a forma como decorrem certos debates na Assembleia da República. É escandalosa a forma como se desrespeita o direito de discordar. É escandalosa a forma como algumas pessoas são marginalizadas. É escandalosa a forma como se foge à verdade, se oculta a verdade, se foge a responsabilidades. É escandalosa a forma como se difamam e caluniam pessoas. São escandalosas manifestações de prepotência e abusos de autoridade.
Não há, infelizmente, o cuidado de não escandalizar.
 
Perante situações escandalosas surge por vezes a desculpa de que se não fez nada de ilegal. Com isso se tranquilizam consciências e se pretende calar protestos.
Há que ter em conta a existência da lei de Deus, inscrita na consciência bem formada de cada um, e das leis dos homens.
Nem sempre as leis dos homens estão de acordo com a Lei de Deus. Há leis dos homens feitas à medida dos interesses e das conveniências dos mesmos homens. Há leis dos homens que se fazem para legalizar o que deveria ser ilegalizável. Há leis dos homens tão volúveis como os mesmos homens. Há leis que são injustas. Há leis que são iníquas. Há leis nem sempre corretamente interpretadas e aplicadas.
 
Há comportamentos que, sendo legais, são imorais. Há comportamentos que, assumidos a coberto de todas as leis, não deveriam deixar sossegada a consciência de quem os assume, porque devem ser considerados imorais. São escandalosos. Vergonhosamente escandalosos.




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