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Já 70 anos e ainda principezinho!

1O tamanho não é decisivo e a simplicidade não constitui um entrave. Afinal, um livro não precisa de ser grande para ser um grande livro. E uma história (aparentemente) infantil pode encerrar uma enorme profundidade. 2. Antoine de Saint-Exupéry dedica “O Principezinho” ao seu melhor amigo. Ou, como tem o cuidado de ressalvar, «à criança que ele já foi». Não espanta, por isso, que — sete décadas depois — este continue a ser um livro que não envelhece. Aos 70 anos, continua a ser “O Principezinho”. Ele passa pelo tempo. Mas o tempo parece não passar por ele.

João António Pinheiro Teixeira
29 Ago 2013

3. “O Principezinho” é, sem dúvida, um dos livros mais conhecidos. Não estou, porém, seguro de que seja um livro muito lido. 
Tratando-se de um livro popular, está longe de ser um livro vulgar. E é muito mais do que uma vulgata de citações que, habitualmente, acoplamos a toda a espécie de discursos.
4. Trata-se, no fundo, de uma denúncia subtil dos nossos julgamentos, das nossas avaliações.
Hoje, os nossos olhos alcançam praticamente tudo. Os nossos olhos esticaram-se.
5. Temos os óculos, temos a tv, temos a net. Só que, como avisa Saint-Exupéry, «os nossos olhos são cegos». Detectam as pegadas. Advertem as pisadelas. Notificam os estrondos.
Mas isso não é o essencial. «O essencial é invisível aos olhos». Como ver, então? «Só se vê bem com o coração».
6. O coração tem uma lógica que vai além de toda a lógica. Ele é o único a descobrir atalhos quando os olhos já não enxergam caminhos.
Sucede que os mais crescidos têm muita dificuldade em ver assim. Os mais crescidos são «muito esquisitos».
7. Os nossos olhos levam-nos até à realidade.
Mas isso não significa que nos permitam entrar dentro dela. Nem, muito menos, que nos tragam a realidade até nós.
8. Os mais crescidos «precisam sempre de explicações». Nunca «entendem nada sozinhos». Mesmo (ou sobretudo) quando presumem que tudo percebem.
As crianças «acabam por se cansar de lhes estar sempre a explicar tudo». De facto, «as crianças têm de ter muita paciência com os adultos».
9. Os mais pequenos ainda não têm tantas vendas no seu coração.
Por isso vêem melhor. Com mais nitidez. Com mais pureza e claridade!
10. Comunicar é muito mais do que emitir sons. Muitas vezes, «a linguagem é uma fonte de mal-entendidos». Essencial é saber cativar, ou seja, «criar laços».
É isso o que falta. É isso o que urge!




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