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A Carência do Ser Humano na Investigação de Jaspers

Através da análise da existência humana, concluo que o alvo da investigação do pensamento de Karl Jaspers (1883) é encaminhar o indivíduo para a descoberta de si mesmo e chegar o fogo ao pavio da incentivação para não esmorecer na sua caminhada de autorrealização. A autorrealização envolve-se com a libertação do indivíduo do seu sono e bocejo material, do indivíduo máquina, do indivíduo vegetal e sensorial para o indivíduo racional, afetivo, consciente, espiritual.

Benjamim Araújo
28 Ago 2013

Questiono, com um certo desconsolo a gotejar mágoas por entre os lábios trémulos, se a investigação de Jaspers terá uma resposta acabada. Contudo, seja sim ou não, enrolo um efusivo abraço no pescoço dos seus simpáticos sonhos.
Karl Jaspers, para efetivar os seus sonhos, projetados no indivíduo existencial, em situação, a fim de se descobrir a si mesmo e de se autorrealizar, lançou, simbolicamente, dos pés à cabeça do indivíduo, uma escada de quatro degraus. O primeiro degrau da escada é o ser aí, é o ser aqui e agora; é o existente, ainda sem especificações. O segundo degrau é a consciência, a qual, como manifestação do conhecimento, arranca o indivíduo dos subterrâneos infra-humanos e gere e controla a sua autorrealização. O terceiro degrau é o espírito que, como energia que é, dá unidade à globalidade, conectando os outros degraus até à existência. O quarto degrau é a existência, manifestadora do ser e da autorrealização do indivíduo. Aqui, a existência abre-se para a transcendência (Deus, o infinito, o eterno). Afirma Jaspers que, da dialética, numa tensão de união, integração e conexão, entre a existência e a razão, resulta o autêntico ser do indivíduo existencial.
A transcendência manifesta-se no mundo, mas supera-o. Está para lá do finito e do tempo, onde a razão não entra. Só a fé, a crença e a revelação nos permitem a entrada na transcendência, diz Jaspers.
Afinal o que é que K. Jaspers não descobriu de si mesmo? O filósofo não descobriu, na sua autêntica existência individual, o seu ôntico e transcendente ser. Este ser, explicitamente falando, é a nossa autêntica natureza, fundamento de todos os predicados (vida, amor, paz, verdade, luz) que, imperativamente, arrancam o indivíduo do seu subterrâneo infra-humano, autorrealizando-o. É esta natureza que lhe abre, naturalmente, as janelas para o Divino, através da meditação, intuição e analogia. É na unicidade desta natureza que se fundamenta, naturalmente, a religião e a verdade da comunicação com o ser existencial, em todas as suas situações, com Deus e a Sua Igreja.
Vou explicitar, aqui, a dicotomia dentro do ser, traçada por Jaspers e que o acompanhou através da investigação do seu pensamento. Peço desculpa por algum desajustamento.
Jaspers distingue duas vertentes no ser: a existencial e a transcendente. Na vertente existencial, explicita dois níveis humanos: o infra-humano (o biológico) e o humano (razão, consciência, espírito). Segundo Jaspers, é da dialética entre existência e razão que brota a autenticidade do ser existencial e a autenticidade da existência e da razão.
Jaspers dá um salto imediato e antecipado do ser existencial para o ser transcendente, ignorando o ser transcendental (a nossa autêntica natureza). É um salto muito comum, carente de ajustamento, até na própria religião.
Vou, agora, explicitar, por minha conta e risco, a dicotomia dentro do ser, que me parece mais ajustada à globalidade do ser.
Vou distinguir o ser em infra-humano, humano e transcendente. No ser humano, vou distinguir o ser existencial (o biopsíquico) e o ser transcendental (a nossa autêntica natureza).
O autêntico ser existencial, a religião (concretamente a Igreja cristã) e a verdade da comunicação são jatos de luz, manifestadores do ser transcendental e em direção à sua fonte de que Cristo, como humano, é o seu protótipo.




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