Fotografia:
Arde outra vez a nobre serra dos Passos

1 – Um vago incêndio na “anónima” Lamas de Orelhão, Mirandela). Só conseguirá avaliar o gigantismo do desastre quem lá vá observar “in loco”. É dos casos em que uma imagem vale mesmo “mil palavras”. Sobretudo para quem conheceu aquelas fantásticas paisagens há uma mera meia-dúzia de anos atrás. Ignoro até se os incendiários e seus mandantes irão paulatinamente nas próximas semanas continuar a deitar fogo ao resto dos cerrados pinhais entremeados de sobreirais que constituem o coberto vegetal da extraordinaríssima serra do Franco e dos Passos (que também é conhecida pelo nome do seu ponto mais alto, “Santa Comba”, com 1010 m.).

Eduardo Tomás Alves
27 Ago 2013

Já no início do verão começara, ali mesmo ao lado, a arder uma parte do pinhal da serra da Garraia, junto a Murça, mas parou. Porém, de tudo isto o que chegou vagamente agora aos ouvidos do público, através da rádio, foi que mais um “corriqueiro” incêndio lavrava, agora na freguesia de Lamas de Orelhão. Esta aldeia, mesmo junto à A4, deriva o seu nome do imenso cabeço rochoso arredondado que dá pelo nome de “Rei de Orelhão”, mesmo acima do casario; e é bem conhecida de todos aqueles que passam na A4 (ex-IP4), mesmo antes de chegar a Mirandela.

2 – O declive do encoberto lado-norte da serra é 3 vezes maior que o que se vê da A4). Um dos mais notáveis factos acerca desta bela serra transmontana é que o imenso vale ondulado que ela cava a norte (em direcção a Valpaços) tem quase 4 vezes o declive que pode apreciar quem passe pelo lado-sul na A4, no troço Murça-Mirandela. Mesmo aqui, qualquer tolo apreciará a vastidão e grandiosidade da paisagem que desce por suaves colinas ondulantes (as quais se tapam umas às outras) em direcção a esse altar pedregoso que é a serra do Faro. E em direcção aos fantásticos desfiladeiros do rio Tua, que Sócrates e agora os chineses da EDP tanto se empenham em destruir com uma barragem gigantesca, ludibriando a própria UNESCO.

3 – O incêndio fará parte de uma “conspiração eólica” contra a serra?). O governo de Sócrates fartou-se de “meter a mão no bolso” do povo português ao inventar projectos disparatados ou megalómanos, que decerto vão enriquecer alguém. Projectos dos quais são perfeitos exemplos o caso da milionária A4 (Auto-estrada Transmontana, que soterrou o ainda tão útil IP4), com o seu túnel de 6 km e os seus 4 ou 5 viadutos gigantes (em V. Real e Amarante). Outros exemplos são as outras PPP, todas pagáveis por nós em décadas de pesados impostos, permitindo p. ex. “barragens em rios secos” (e para mais, de alto valor ecológico…), como as do Sabor e do Tua. O que é um crime que há-de um dia ser pago. A dispendiosa obcecação socratista pela energia eólica ainda não foi devidamente analisada sob o ponto de vista financeiro, mas decerto um dia também será. Sobretudo porque encheu o país com mais de 2 mil impactantes e caras ventoinhas gigantes e ignorou o valor da poupança energética e da alternativa, bem viável, da energia solar, muito menos destrutiva da paisagem imemorial. Ora diz-se por aí que as ditas ventoinhas funcionam muito melhor se os montes onde as colocam não tiverem arvoredo, o qual trava o vento. Daí que boa parte dos fogos-postos de hoje já não sejam para eucaliptizar os terrenos, mas sim para instalar “parques” eólicos. Bem, e para quem não saiba, existe uma inimaginável licença para parque eólico na dita serra dos Passos, que agora em parte ardeu. “Que las hay, las hay”. A bom entendedor…
4 – O valor da paisagem e a mobilização popular). Faz parte do senso comum e da cultura geral defender-se a paisagem de um país, lá onde ela é mais grandiosa. Não é só através de índices económicos que nos podemos comparar com povos europeus mais cultos e civilizados que nós. Projectos como a destruição dos vales do Sabor, do Tua (e do próprio Guadiana) por barragens desnecessariamente gigantescas, nunca passariam em paí-ses como a Alemanha ou a França. Por aqui é que se vê o grau de civilização dos povos. E os próprios transmontanos também são capazes de se mobilizar e impedir crimes deste género. Há cerca de 30 anos, as celuloses quiseram eucaliptizar esta mesma serra. E os populares, às centenas, opuseram-se, resistindo com sucesso à pouco motivada acção da própria GNR (há filmes sobre isto). Daí que quanto ao fim do vale do Tua e da serra dos Passos e do Franco, ainda tudo esteja em aberto.

5 – Gigantes económicos, anões políticos). Este será hoje o caso, típico, de paí-ses como a Alemanha e o Japão. Aplicando esta ideia às regiões de Portugal, poderíamos dizer o mesmo da nossa região Noroeste, entre os rios Minho e Mondego. Já os transmontanos não. São poucos e pobres, mas unidos. Basta lembrar o poder sectário do clã de Durão Barroso, Sócrates, Passos Coelho, Carlos Magno, Maria José Morgado, Adriano Moreira, Morais Sarmento, Raul Rego, Francisco José Viegas, Duarte Lima, Isaltino Morais, Lucas Pires, Assunção Esteves, Edite Estrela, Belém Roseira, Pires Veloso, Roberto Leal, Costa Gomes ou Armando Vara. Aprendei, gente…




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