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Um monumento a Nossa Senhora… no espaço público

Dentro de dias, a 8 de setembro, vai cumprir-se um desejo da Moita do Ribatejo – incluindo cristãos e cidadãos, crentes ou simpatizantes, autoridades e povo – a inauguração de um monumento a Nossa Senhora da Boa Viagem, padroeira desta vila… com cerca de sete anos de projecto, mas mais dinamizado nos últimos dois anos. O monumento apresenta uma estátua em mármore de Nossa Senhora com quase dois metros de altura, sobre um bote em ferro, o qual emerge das águas do rio Tejo, que está a cerca de vinte metros de distância do local onde o monumento será colocado. O bote será pintado com as cores típicas das embarcações (anteriormente de trabalho e agora de recreio) das gentes da Moita.

A. Sílvio Couto
26 Ago 2013

Os custos da obra – num total que ronda os sete mil euros – são todos suportados pelos fiéis católicos e por outras pessoas que se quiseram associar ao acontecimento, tendo havido angariações de recursos com peditórios, espectáculos de música e a oferta de alguns donativos de empresas e mesmo de casas comerciais.

= Fé na rua… com sinais cristãos
Sem pretender tecer loas em causa própria a esta iniciativa, teremos de nos situar em que estamos num espaço territorial português onde nem sempre é fácil assumir-se como crente cristão, sobretudo se se tem de ir para a rua, dando a cara ou assumindo-se como católico. Apesar de tudo – com muito respeito e solenidade – há manifestações religiosas nesta área da diocese de Setúbal, em que normalmente cada terra (freguesia, concelho ou pequena localidade) tem os seus actos de devoção tradicionais, tais como procissões, momentos  de festa e mesmo via-sacras ou peregrinações… na rua!
Nota-se, no entanto, a falta de sinais religiosos nos espaços públicos. Aliás foi este um dos obstáculos criados por alguns autarcas – que ainda estão no poder – para que fosse aceite a pretensão em ser colocado um monumento a Nossa Senhora da Boa Viagem numa artéria da Moita.
Agora que foram ultrapassadas algumas das dificuldades – das autoridades a melhor e, diga-se, a mais importante, ajuda que nos foi dada, foi a de não criar problemas, pois os meios económicos quase nunca foram solicitados – esperamos que o monumento dignifique a Moita e as suas gentes, criando uma simbiose com as raízes mais profundas do seu ser psicológico, espiritual e cultural.

= Desafios em ‘Ano da fé’… ao testemunho de contra-corrente
Novamente sem pretendermos qualquer diferenciação, nem na forma e tão pouco no conteúdo, sentimos que a possibilidade de ser erigido um monumento em honra de Nossa Senhora – aqui na invocação de ‘Boa Viagem’ – em espaço público torna-se numa oportunidade de assumpção da fé católica em dinâmica de testemunho, pois, num tempo marcado pela privatização da fé, conseguir expor-se na vi(d)a pública é como que uma ousadia e uma espécie de exposição à possibilidade de incorrer num certo ridículo… para uns tantos intelectuais e benquistos duma certa cultura cristofóbica… e/ou anti-espiritual.
Quando nalguns lugares se tentaram recauchutar peregrinações e romarias, noutras oportunidades rotulou como símbolo da fé o que estava prestes a cair de velho, aqui, neste espaço ao sul do Tejo – que tem tanto de simbólico, quanto de taprobánico – fomos tentando deixar marcos que poderão ser reveladores da fé – senão comunitária pelo menos inquietante, inquietada e inquietadora – de uma porção do povo de Deus que reza, celebra e tenta viver em comunhão de Igreja católica!…

Neste tempo que nos foi concedido viver – mais do que um tempo histórico é um tempo de graça – precisamos de assumir as nossas tarefas de tornarmos presente, pelo testemunho de fé, a força de Deus com palavras, gestos e sinais, que sejam tanto simples como ousados, tanto alegres como sérios, tanto humanos como divinos… pois em tudo podemos e devemos elevar os outros para Deus sem nos tornarmos demasiado pneumáticos nem de vivermos as coisas da vida sem dimensão sobrenatural. A fé vive-se pela partilha na esperança e para a caridade… verdadeira!




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