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Saber ouvir eficazmente

Qualquer profissional tido como polo de uma equipa de saúde é observado, na maioria das vezes, como um elo significativo da relação cidadão/técnico de saúde. Com esta noção básica, o contacto entre estas duas variantes requer determinadas capacidades indispensáveis ao bom desempenho profissional. Sobretudo, quando se quer imprimir uma visão humanística e as indispensáveis boas práticas cujo significado se reflete nos comportamentos éticos e qualitativos da competência e da confiança técnica e pessoal estabelecida entre ambas as partes.

Albino Gonçalves
26 Ago 2013

O cuidar é considerado como uma atitude crucial à sobrevivência humana. Exige mais do que o saber, pois este pode ser memorizado, e muito mais do que saber fazer, pois os gestos, também eles, podem ser automáticos e repetitivos. É fundamental no seio destas componentes a essência do saber Ser, tanto connosco como com a outra pessoa. Só o seu desenvolvimento centralizar-se-á na especificidade da pessoa humana, tendo em consideração a identidade, cultura, sentimentos e emoções próprios e individuais. Aliar-se à necessidade do próximo é uma obra de sedução, que só se realiza na serenidade, lucidez, no questionar constante para atingir com sucesso os objetivos, a satisfação e a motivação da auto-estima elevada.
É preciso uma postura coesa e capacitada na transmissão de sinais que codificam e descodificam de modo a que a interação faça sentido. Por exemplo, escutar não é propriamente só ouvir, vai muito além no seu significado, como constatar, deixar-se impregnar pelo conjunto das suas perceções em todos os seus sentidos. Podemos, talvez, considerar uma arte intrínseca à prática de cada um de nós, desenvolvendo-a e valorizando-a. O mundo escuta-se e promove disso os resultados que poderão ser benéficos ou adversos, complicados ou simplificados, complexos ou de fácil resolução, relevante ou sem significado. Contudo, a disponibilidade da comunicação e audição, deve ser interpretada como um sinal analiticamente tranquilo, responsável e aconselhado. Não deve haver “alta velocidade” da escuta, evitando-se por todos os meios a precipitação, o descuido, o excesso de “ruído” e daí a consequente transformação em negativismo, levando-nos à individualidade de critérios e desconhecimento dos factos.
Paradoxalmente, os menos formados são aqueles que ouvem mais, porque acreditam que saber escutar é um dom natural, um procedimento educado e uma atitude de humildade. Para isso, exige-nos a necessidade de envolvimento integral, de uma vigilância sensorial, intelectual e emotiva, notoriamente envolve grande consumo de energia e muito do nosso tempo no investimento percetivo das necessidades, fragilidades que emergem na pessoa do utente.
O quotidiano que vivemos é histórico e pressionante, cheio de potencialidades de risco e dependerá muito de nós o aproveitamento de uma triagem capacitada para a boa gestão numa época em que a vivência com os cidadãos tem uma perspetiva holística, a quem se reconhecem direitos fundamentais, como sejam a vida, a saúde, a morte, a dignidade, a identidade, a liberdade e a autonomia.
Imperativamente, os profissionais de saúde no seu todo devem estar abertos às mudanças, focalizando-nos para uma fidelidade da prestação de serviços de satisfação às necessidades totais do indivíduo enquanto pessoa, compreendida na sua globalidade. Vivemos na era do progresso, vivemos num mundo que presta pouca atenção ao valor e ao princípio moral de saber escutar e cuidar. Entre o que será preservado, contam-se as perícias da comunicação e a promoção de relacionamentos que enfatizam a atitude de saber ouvir com uma atitude de calor humano, demonstração de interesse e o devido respeito pelas causas transmitidas.




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