Fotografia:
A fotografia sorriu

Eram ambas professoras do ensino público e ambas casadas com militares professores numa escola de formação militar. Um dia, uma delas, chamemos-lhe Magda, começou a sentir-se mal, foi ao médico e ele disse-lhe que, mais dia, menos dia, ia ter que tirar a vesícula… Então, ela disse à colega que não podia aguentar mais, tinha que ir fazer a operação. Como se estava perto do Natal, a colega ainda lhe sugeriu que era melhor deixar a operação para depois das festas, mas ela não concordou e pediu-lhe para tomar conta do filho, ainda pequeno, enquanto estivesse internada no hospital, porque o marido passava o dia no quartel. Assim foi: ela foi internada no hospital e o miúdo foi para casa dessa colega.

M. Ribeiro Fernandes
25 Ago 2013

1. Feita a remoção da vesícula, esperava-se que o processo de recuperação corresse bem; mas, tal não aconteceu. Ao 2.º dia, começou rapidamente a piorar. O médico não sabia porque é que isso acontecia. Algo de errado terá ocorrido na cirurgia… Telefonaram ao marido a dizer que o estado de saúde da esposa estava a piorar. Antes de ir para lá, ainda passou por casa, a pedido da colega que ficou com o filho, para ir buscar roupas para o miúdo. E foi aí que aconteceu o fenómeno da fotografia. No hall de entrada da casa, havia uma fotografia da Magda. Ao entrarem, apressadamente, a amiga reparou que a fotografia da Magda lhe sorria… Admirada, volta-se para o marido da colega e pergunta:
– Já reparou que a fotografia da Magda está a sorrir? É estranho… A fotografia não era assim. O que é que se passará?
– É verdade, é mesmo estranho, diz ele, a fotografia está a sorrir…
Mas, como estava muito preocupado com a saúde da esposa e tinha pressa de ir para o hospital, não prestou muita atenção a isso. Foi procurar as roupas do pequeno e vieram logo embora: ele para o hospital e ela para sua casa, para cuidar do miúdo.

2. Quando chegou ao hospital, foi informado que a situação clínica da esposa se tinha rapidamente agravado e estava a entrar em coma. E, infelizmente, passadas algumas horas, faleceu. Era uma senhora ainda muito jovem, simpática, de quem todos gostavam muito. A amiga também ficou muito chocada com a morte inesperada da colega e mais ainda porque deixava um filho, ainda pequeno, entregue aos seus cuidados; mas, para além disso, uma outra coisa lhe ficou gravada na mente que, ainda hoje, passados muitos anos, não conseguiu esquecer: que significado teria aquele sorriso da fotografia, quando entraram em casa?

3. Como eram casais amigos, logo que pôde, pediu para voltar lá a casa e rever a fotografia: queria certificar-se se ela ainda mantinha aquele sorriso. Mas, não, a fotografia voltou à expressão que sempre teve e o sorriso daquele momento desapareceu. Hoje, ela continua a interpretar esse acontecimento como sendo a expressão do desejo da Magda de comunicar com ela para lhe agradecer, antes de morrer (já estaria em coma, naquele momento), por ter tomado conta do seu filho, que ela levava no coração e para lhe pedir que o tratasse bem. A interpretação pode ter algo de subjectivo, mas parece ser a única aceitável.

4. Pode parecer uma história de ficção, mas não é. A senhora que o contou diz que foi verdadeira. Trata-se de uma pessoa nossa conhecida, já falei com ela muitas vezes, já cá tem estado em casa, foi colega da minha mulher no ensino, telefonam-se frequentemente, a sua idoneidade psicológica não oferece dúvidas. Quando, há dias, ela contou isto, a propósito de uma outra colega de ambas que também ia fazer uma cirurgia para extrair a vesícula, disse que, apesar de aquele facto já se ter passado há bastantes anos, ainda hoje sente um arrepio na espinha quando se lembra dele. Guardou-o em segredo durante muito tempo, porque lhe pareceu um caso estranho que não sabia explicar e quase duvidava de si própria. Se o marido da falecida Magda o não tivesse comprovado também, ela ia ficar convencida que era ilusão sua.

5. Nunca ouvi falar de um facto destes, mas não é o seu aspecto insólito que me impressiona, até porque ele se enquadra na comunicação afectiva à distância (telepatia sobre o inconsciente agitado e eventual telergia fotogénica), conhecidas na Parapsicologia. O que me impressiona é outra coisa: é, em primeiro lugar, o mistério do amor, como o daquela jovem mãe que levava o filho no coração e quis agradecer, antes de morrer, à colega e pedir-lhe que o tratasse bem; depois, como o amor se pode comunicar naturalmente à distância; e, finalmente, como as pessoas, mesmo em coma, podem perceber o que se passa à sua volta, sobretudo pela audição e por um conhecimento íntimo, que ainda não sabemos definir.
Há tanto de misterioso na vida…




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