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Um olhar em redor

Uma vez mais, já em Setembro, este povo, o “Povo que Lava no Rio e talha com seu machado as tábuas do seu caixão”, este povo, pois, vai ser chamado a votar novamente. Refiro-me, como é evidente, às próximas eleições autárquicas, tratando-se com efeito de um dever cívico, sem dúvida “e felizes daqueles que agora o podem fazer livremente. Contudo, votar em quem? É esta, quanto a mim, a grande questão, dado que, logo à partida, ressalta uma situação jamais vista em anteriores eleições similares: a enorme quantidade de candidatos a presidentes de Câmara que, tendo atingido o limite dos seus mandatos em determinada autarquia, salta despudoradamente à conquista de novos mandatos numa outra qualquer, aproveitando-se (até ver) da confusão instalada em torno da lei que regulamenta esses limites.

Joaquim Serafim Rodrigues
24 Ago 2013

Num dos dicionários de que disponho, leio: Autarca – «Aquele que governa por si unicamente. Rei absoluto. Ditador”. Ora, prezado leitor, esta definição, afigurando-se à primeira vista um tanto ou quanto radical, assenta “como uma luva” a todos aqueles que, presentemente, pretendem perpetuar-se no exercício de tais cargos, sem um sentimento de repúdio, nem respeito algum pela decência! Acrescentarei que tais pretensões são também eticamente reprováveis.
Depois, e conforme alguém já o disse, o poder corrompe e o poder absoluto corrompe absolutamente. Transformaram-se, assim, em autênticos caciques esses políticos carreiristas de profissão, os quais, tal como preconiza José Gomes Ferreira no seu admirável livro “O meu Programa de Governo”, deveriam ser responsabilizados, até criminalmente, pelos seus actos contrários à lei, tivessem eles sido praticados fosse em que cargo fosse. Mas não. Quando muito, e raramente, acontece uma perda de mandato aqui ou ali, sempre passível, no entanto, de recursos ou impugnações várias, perdas essas de mandato que jamais atingiram, que me lembre, qualquer político de referência.
Alguns estarão recordados, decerto, dos incitamentos feitos pelo autarca Fernando Ruas à populaça, para que se organizassem e corressem à pedrada os funcionários do Ministério do Ambiente que tentassem fazer cumprir as leis do país em Viseu. O que sucedeu depois? Tudo como dantes, “no quartel general em Abrantes”: Ruas, afinal, explicou-se, pois aquilo que proferiu foi em sentido figurado, foi um modo de dizer, até porque uma pedra nem sempre significa um calhau – há a pedra filosofal, por exemplo, coisa impossível de achar, podendo ainda citar-se as pedras do dominó, que permitiriam dar azo a um jogo amigável com os referidos funcionários do Ministério do Ambiente. Que culpa tinha o autarca de Viseu que distorcessem aquilo que ele tão vernaculamente expressou? Vejam os dicionários e aprendam!
Agora a sério, caro leitor: a Justiça portuguesa sofre de cegueira, embora o seu símbolo a represente de olhos vendados, o pior é quando ela pisca um deles: por isso os corruptos crescem, os pobres vão ficando mais pobres e os ricos vão ficando mais ricos abençoando a crise da qual nunca saem perdendo.
E acho que chega por hoje.




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