Fotografia:
O rigor e os portugueses…

Realmente não somos muito dados ao rigor, mas continuamos a ter um grande poder argumentativo e por vezes a esquecer o direito ao contraditório que sempre deve estar presente. A falta de rigor é porém uma questão  que sempre aparece como tema em política geralmente associada a promessas eleitorais ou opções políticas causadoras de empobrecimento. Recentemente surgiram aparentes sinais de retoma económica e logo se entendeu, estarmos efectivamente numa fase de progresso com reflexos económicos já previsíveis a curto prazo. Alguns mais realistas e prudentes, lá foram sugerindo que ainda era cedo para valorizar esses sinais.

J. Carlos Queiroz
23 Ago 2013

Mas a falta de rigor torna-se um mal social na medida em que, o próprio cidadão começa a pôr em causa o que ouve independentemente da fonte de informação, ora  as coisas não podem ser efectivamente avaliadas, sem antes terem merecido uma análise prudente e sensata.
Recordo que durante muitos anos se falou entre nós no problema do analfabetismo, depois construíram-se muitas escolas e concluiu-se que afinal o problema passou a ser de “iliteracia”, isto é, mudou-se apenas a palavra e tudo mudou! Entretanto agora fecham-se escolas e começam a fazer falta os lares para idosos!
Ainda recentemente assistimos a um jogo de pingue-pongue político interessante, pois mesmo com a demissão de um secretário de Estado, o tal rigor apenas mostrou  um jogo de palavras entre partidos, que se estimam e governam alternadamente, fazendo conforme o momento apelo ao rigor e ao sucesso das suas escolhas ou opções políticas. De tudo isto resulta inevitavelmente uma grande desilusão e insegurança para os portugueses, pois na verdade esta forma de estar na política convida ou pode contribuir, ao aumento da abstenção em próximos actos eleitorais. Mas também quando se abordam questões sociais, mesmo recorrendo à solidariedade entre gerações ou à necessidade de reformar o Estado Social, como forma de garantir no futuro a sustentabilidade do sistema,  temos de novo a questão do rigor como  objectivo… mas agora como promessa de construir um modelo diferente e porventura mais justo. Ora poucos acreditam num Estado Social para melhor, quando as medidas tomadas ou mesmo anunciadas indiciam o contrário, entretanto as notícias sucedem-se abundando as excepções com pensões elevadas, obtidas em condições especiais e (também isenção de alguns impostos que contrariam a apregoada necessidade de equidade), quase sempre desconhecidas ou pouco divulgadas aos cidadãos.
 A política de verdade e do rigor parece pois ser uma frase a que os políticos recorrem em determinados momentos, mas raramente com vontade ou preocupação de cumprir. A situação crítica do país também ela foi escondida objectivamente dos Portugueses durante muito tempo e só quando os redores começaram a exigir o pagamento da factura e o cumprimento das obrigações anteriormente assumidas, aí sim, surgiram tentativas de explicar e argumentar razões para o endividamento. Também neste período o rigor foi apenas aparente pois ainda hoje se investigam parcerias e se justificam políticas.
Nós até gostamos do rigor, da pontualidade, do esclarecimento, porém sempre existem imponderáveis, ou mesmo um determinado contexto económico e político, interno ou externo, que obstam a essa nossa vontade. A questão parece ser evidentemente de vontade política e de determinação, sendo também verdade que, tardamos em reagir às contrariedades. Mas será que realmente não conseguimos ser rigorosos e vivemos apenas para a austeridade! Só o tempo e os políticos nos darão a resposta nos próximos tempos, até lá vamos apenas continuar a viver na esperança.




Notícias relacionadas


Scroll Up