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Deuses, homens e animais

Sabemos que a primeira tentação do homem foi “ser como Deus”. Sabemos que essa ambição continuou viva em civilizações antigas. Sabemos que segue vigente na civilização ocidental sob o estandarte da “liberdade” entendida como a possibilidade de se fazer tudo quanto se quer sem sofrer as consequências. O homem sempre teve necessidade de Deus e os vestígios das civilizações antigas dão testemunho disso. Porém, mesmo acreditando na sua existência, nota-se que tinha e tem dificuldade em entender Deus, embora sentindo necessidade de se aproximar e identificar com ele.

Isabel Vasco Costa
23 Ago 2013

As pinturas mortuárias, as esculturas e os textos escritos nos papiros do tempo dos faraós revelam-nos a crença na vida depois da morte e em deuses que podem ser animais (escaravelho, boi), homens com cabeça de animal (de cão, boi), ou animais com cabeça humana (esfinges). Também na Grécia antiga a imaginação se manifestava em figuras antropomórficas como o centauro e o fauno que voltam a surgir como elementos decorativos na Idade Média.
É curioso reparar que, ao procurar identificar-se com os deuses, o homem se “mistura” com os animais, chegando a substituir a sua inteligência (cabeça) pela de um animal, como aconteceu no Egipto. Esta realidade, de o homem querer superar Deus imitando os animais, ainda hoje persiste sobretudo no que se refere ao comportamento sexual, mesmo quando utiliza meios sofisticados de reprodução.
Bom exemplo disso nos foi revelado por um programa de televisão. Um grupo de mulheres tinha usado os serviços de um banco de esperma para, mediante fecundação in-vitro, engravidar. Quando os filhos cresceram e começaram a fazer perguntas acerca do pai e da família, sentiram necessidade de investigar mais. Descobriram que o pai era um “número” que estava a ser procurado por vários filhos. As mães tinham-no escolhido por ser um homem inteligente (médico), bem parecido, alto, etc. Entretanto, o pai tinha casado e acedeu a deixar-se entrevistar. Revelou que só considerava como “seus” os dois filhos que tinham nascido como fruto do seu matrimónio.
Nele, o carácter procriativo do matrimónio tinha ganho sentido com o carácter unitivo. Ao unir-se à sua mulher, os filhos “passaram” a ser seus, reconheceu-os, preocupava-se com o seu crescimento e formação. Os outros… não eram considerados seus filhos. Nisto, assemelhava-se ao comportamento dos peixes; não lhes interessa conhecer a mãe dos filhos nem qual o futuro que os espera: servir de plâncton, crescer e serem engolidos por um tubarão ou chegar à idade adulta e reproduzirem-se. Usando um avanço tecnológico, o homem perdeu humanidade e comportou-se como peixe.
A questão da liberdade humana continuará. A ciência avançará, mas o homem, embora o não queira, continuará responsável pelas suas acções. A felicidade de cada homem e da humanidade passa pela forma como usar a liberdade: para o altruísmo ou para o egoísmo. Para o amor ou para a indiferença. Faz falta meditar e fazer com que surjam iniciativas que salvem o homem de se afogar no abismo animal e o recuperem para o mundo dos homens.




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