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Haja senso e responsabilidade

O país atravessa um período difícil e grave no seu contexto sócio-económico, resultante de situações de natureza diversa que varrem globalmente a economia europeia e mundial, refletindo-se numa Europa fragilizada por indecisões de natureza política e financeira e onde impera o egoísmo avassalador dos poderosos. Criou-se uma comunidade europeia inicialmente bem alicerçada, com o espírito de agregar todos os instrumentos que contribuíssem para um espaço europeu forte e solidário, no sentido de se estabelecerem novas regras de equilíbrio equitativo, dentro de um espírito de entreajuda, sem discriminação entre Estados, embora admitindo culturas diferentes de viver e de criar riqueza.

Bernardo Reis
21 Ago 2013

Os princípios que originaram e contribuíram para a criação da comunidade europeia tinham fins valorativos dentro de uma filosofia agregadora de pessoas e bens, sem haver hegemonia de certos Estados, que no momento atual estão a desestabilizar e a criar diferendos irreversíveis de natureza económico-financeira.
As entidades bancárias ou reguladoras financeiras desenvolveram trajetos e objetivos conducentes a iludir ou a criar falsas expectativas aos cidadãos, com dinheiro aparentemente fácil, sem preparação para valorizar as consequências futuras de se viver acima das possibilidades e com sérias repercussões familiares, empresariais e nacionais.
Atravessou-se um ciclo económico de prosperidade fictícia, mediante a criação de mecanismos financeiros
irreais, por vezes politicamente impossíveis de cumprir.
O ser humano passou a ser um objeto de aliciamento e opressão material, desvalorizando-se princípios éticos, sem olhar a meios, permitindo uma vida fictícia, sob diversos aspetos, o que contribuiu para um crescimento deslumbrante e anormal, sem se ter tido em conta as consequências imediatas para as gerações futuras.
Tudo parecia fácil, ou antes, era fácil, mediante a subjugação do pragmático ao irreal, situações quantas vezes resultantes da ânsia da projeção sócio-política e de notoriedade pessoal, onde faltava, ou falta, a experiência profissional essencial para a consolidação dos projetos e da sua viabilidade a diferentes níveis.
Este ciclo trouxe e vai trazer consequências imediatas e futuras que irão afetar o país por longo espaço de tempo se não houver mudança de mentalidade em diversas áreas e, principalmente, entre a classe político-
-partidária, e criação/inovação de novas formas de viver e gerir a administração pública e autárquica, caminhando em direção a uma sociedade solidária, consistente e pensando no bem comum.
Todos os Estados e cidadãos têm que se convencer que há ciclos históricos, originando ideologias diferentes e contextualizadas em conteúdos de supremacia étnica ou económico-financeira, mas não se pode deixar de considerar o ser humano como um todo, com direito à vida, à família e ao emprego.
Uma economia de escala em direção ao social, onde a filosofia de criar riqueza é necessária, mas com distribuição harmoniosa, fundamental para a auto-motivação, em que tem que haver responsabilidade por parte da classe política e social, dos cidadãos, das entidades e das empresas.
A questão dos valores humanos, éticos, profissionais e financeiros carece de experiências adquiridas depois de concluída a formação, alicerçadas em pragmatismo e não em ?carreirismo?, sem se deixar de estar vinculado a princípios doutrinários pessoais ou nacionais.
No último quartel do séc. XX e início do séc. XXI tudo foi fácil, tendo-se adquirido hábitos de facilitismo e irresponsabilidade, por vezes em grande extensão, baseados na retórica demagógica, fácil de assimilar por cidadãos impreparados e sem conhecimento prático da vida.
Fizeram-se investimentos no passado recente, sem apoio em planeamento adequado à realidade do país, que não trouxeram mais-valias para a criação de riqueza e melhoria do PIB nacional, antes pelo contrário, conduziram o país a uma situação difícil e próxima da insolvência. Não se chegou a esse extremo devido aos apoios internacionais, que ao mesmo tempo provocaram a grave recessão económica e o assustador desemprego, em que não há responsáveis, mas é o cidadão e o país que sofrem as consequências.
No momento atual, a nível nacional, embora em bases democráticas e dentro das ideologias partidárias, acabe-
-se com a demagogia, pense-se na retoma económica, no emprego, no envelhecimento, exponencialmente acelerado, nos jovens que abandonam o país à procura de trabalho, cuja formação teve custos elevados, e no futuro da continuidade da nossa sociedade, apostando em jovens profissionalmente experientes, válidos e capazes, que são a garantia de um Portugal novo. Já em diversos períodos da nossa história se soube ultrapassar outras situações com fé e sentido pragmático de otimismo moderado.
É preciso haver sentido de cooperação e entendimento entre todas as sensibilidades políticas, sem radicalismos, havendo senso para encontrar soluções sócio-económicas, onde as classes profissionais sejam lideradas por mentalidades abertas e hodiernas, pois só todos unidos e em coesão, com responsabilidade político-partidária, Portugal ultrapassará esta crise.
Por outro lado, a acentuada proliferação de comentadores na comunicação social, principalmente audiovisuais, que influenciam e confundem cidadãos com pouca formação, muitas vezes com incoerência e ausência de equilíbrio comunicador para alguma população impreparada culturalmente, lançam a confusão de raciocínios com consequências perturbadoras, conduzindo a tomadas de decisões não adequadas para ajudar a ultrapassar este período grave que o país atravessa, por vezes sob a influência de agências e entidades financeiras internacionais.
Pense-se no todo e não individualmente, entendam-se os partidos políticos, pois se assim não for, caminharemos para o abismo.
Com harmonia, diálogo e entendimento nos procedimentos político-partidários e sensatez, dentro de um otimismo sóbrio, vamos reconstruir um Portugal para os que nos vão proceder e assim seremos dignos dos nossos antepassados.




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