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Recortes de verão

São dois, os recortes que me vão ocupar hoje, aqui, com os prezados leitores. Um, um pouco morno, no sentido de não ser tão actual, mas que continua importante, outro, candente e a merecer os mais diversos comentários, pela sua imprevisibilidade e aproveitamento político. Começo pelo mais antigo.Foi você que pediu uma redução da taxa de IRC?
Não? Mas vai ser você a pagá-la. Eu também, claro. Os seus colegas, amigos e vizinhos, também. Os seus filhos, netos, primos e tios não poderão fugir à dita cuja. Os seus avós e bisavós, se tiver a sorte de ainda os ter por cá, também a vão pagar.

Luís Martins
20 Ago 2013

Dizem-nos que é para captar investimento e criar postos de trabalho. Mas será que vai criar mesmo emprego? Não creio. As grandes empresas não criam emprego. São sobretudo as pequenas e médias que o fazem. Contudo, a medida não está formatada para estas, mas para as grandes. Serão essas as grandes beneficiárias. Até 2018 serão cerca de 1.400 milhões de euros que deixarão de entrar nos cofres do Estado. Como este está depauperado, quem vai acabar por pagar a despesa somos nós, os que pagamos IRS, IVA e IMI. Por isso, ao contrário do estudo que foi encomendado a alguém ligado aos grandes grupos económicos, haveria vantagem em começar primeiro pelo IRS. Mais consumo, incentivará a produção nacional e logo o emprego. Os investidores internacionais virão depois quando verificarem que a economia deixou a recessão e há mercado para elas. É verdade que poderão querer do país apenas a mão-de-obra para depois exportarem a produção, mas será sempre um risco enquanto o país não melhorar.

Com a economia no verbo
Ainda de férias, encontrei-me com o Pedro nesta última semana de veraneio, dizendo-se preocupado por não ter podido ainda tratar do assunto que me ficou de resolver. Retorqui-lhe que devia haver alguma confusão porque o problema que lhe tinha colocado fora resolvido com oportunidade e competência. Entre nós e o Governo a conversa não foi diferente.

Soubemos no final da semana que, contra todas as expectativas, a economia cresceu 1,1% no segundo trimestre do ano. Ora, tal sucedeu ao arrepio da envolvente. Apesar do desnorte e das crises políticas, apesar da falta de medidas, a economia mostrou sinais vitais. Sem que o Governo tivesse feito nada, antes pelo contrário, para que isso viesse a acontecer. Tais sinais só podem ter origem nas pessoas e nas empresas. Mas há quem tenha a veleidade de ver nos resultados, a acção do Governo. Uma apropriação indevida e injusta para os verdadeiros heróis. Tanto mais que a acção do Executivo foi até contraproducente.

Também na sexta-feira, no decurso de uma das habituais sessões de jogging, discuti com o Carlos sobre a situação da economia e os dados mais recentes do INE. Houve uníssono. O país não deixou ainda, infelizmente, a recessão. Os números referem-se apenas a um trimestre e o resultado positivo só o é quando comparado, em cadeia, com o trimestre anterior. O comportamento do PIB continua negativo, abaixo do nível que antes fora atingido, e por isso não há lugar a foguetes, pelo menos para já e, muito provavelmente, durante o tempo que resta do ano. Estamos em 2013 e acabamos de chegar, em termos de PIB, a 2000. Um atraso de 13 anos. O resultado a que a recessão nos levou. Certo é que não fomos nós que a pedimos. Ninguém no-la prometeu. No princípio, até todos a afastaram, incluindo os partidos que hoje nos governam. Mas são estes últimos que a estão a consolidar. Certo, também, é que a austeridade, por si só, não traz crescimento.

O Governo podia ter ajudado, como reiteradamente lhe foi pedido. Não o fez. Continuamos abaixo da linha de água, sem vislumbre de ar fresco. Era bom que agora se mexa. Que baixe os impostos, sobretudo o IRS e o IVA, para que os esforçados possam normalizar um pouco a respiração depois da primeira meia-maratona. E então se possa dizer que o Governo é útil.




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