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Para onde caminha o Turismo em Portugal?

Em 1996 Alex Garland escreveu um romance que retrata a aventura de três jovens pelas paisagens da Tailândia. A adaptação de Danny Boyle para o grande ecrã também é interessante, enquanto filme de “pop-culto” e aconselho a sua visualização. Tudo começa quando os três, que estão de férias, se propõem escapar ao comum itinerário dos “turistas-parasitas” ocidentais, com o objectivo de encontrar um delicado paraíso natural, isento de presença humana e da confusão das metrópoles balneares, atoladas de cremes solares, de crocodilos de piscina e de desenfreada poluição sonora.

Diogo Bronze
20 Ago 2013

Podemos assumir que os “parasitas” (como o autor nobremente chama ao povinho que transforma o seu dinheiro em álcool, música e vício), são os ocidentais que fazem dos países de ?terceiro mundo? o seu parque de diversões. Sem o mínimo interesse pelo povo autóctone, pela cultura ou por si próprios, criam um ciclo vicioso entre a degradação da zona por onde passam (como um vírus), e o contributo para o enriquecimento daqueles que  exploram degradantes negócios ilícitos.
Vejamos agora a comparação deste exemplo romanceado, com o nosso querido Algarve. Portugal é um país de excelência. Os recursos naturais são belíssimos, desde o povo à paisagem, tudo é óptimo. O aproveitamento desses recursos, para a gastronomia, artesanato e hotelaria é igualmente um luxo de classe mundial. Em suma, temos matéria-prima de supra qualidade, pois fomos abençoados pelo bom gosto de D. Afonso Henriques, que soube escolher onde montar a tenda.
Assim, a grande pergunta que paira no ar é: Temos a riqueza natural do país, e tendo em conta que somos em grande maioria um povo letrado e até pertencemos à Europa… por que estamos a investir ou a criar um serviço de turismo que aposta na mediocridade, que aposta em destruir, por exemplo, a costa Algarvia e Alentejana, atraindo um consumo desenfreado de álcool, drogas e prostituição, visando especialmente os jovens portugueses (que na grande maioria já vivem entre o vício e o desemprego). Parece incrível, mas oferecemos locais de barulho, confusão e destruição da beleza natural, das vilas e de certos “ex”-paraísos belíssimos, e ao contrário não proporcionamos locais de descanso e cultura. Estamos, de facto, a tornar o nosso Algarve numa futura Koh Phangan à portuguesa, onde impera tudo, menos aquilo que é ser Portugal. Dizemos não à cultura nacional, o melhor e mais valioso que temos para oferecer a quem vem de fora, e vendemos um produto pré-fabricado, sem identidade, onde tudo passa por: ócio, consumos, barulho, vidas humanas desperdiçadas e dignidades destruídas.
Felizmente, existem algumas iniciativas nacionais que visam contrariar esta “zombificação” do turismo e da cultura portuguesa. Mas são necessárias ainda mais, tantas quantas forem as más iniciativas, pelo menos, sob o risco de perdermos a cultura portuguesa numa qualquer maré algarvia, que vende o parasitismo e não o espírito do País.




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