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Santa Beatriz da Silva – fundadora das Concepcionistas

Santa Beatriz da Silva nasceu em Ceuta, quando esta cidade pertencia a Portugal. Possuía descendência real hispano-portuguesa e pertencia à mais alta nobreza da corte. Como condessa, costumava subir com muita frequência ao monte Hacho, com a finalidade de venerar Nossa Senhora de África, pois desde a mais tenra idade tinha grande veneração e amor pela Imaculada Conceição. Tinha 10 anos quando seu pai foi transladado para Portugal.

Maria Fernanda Barroca
17 Ago 2013

Foi no ano de 1447 que se despediu do solar da família Ruiz de Silva e Meneses, com a finalidade de acompanhar, na qualidade de dama de honra, a princesa Isabel de Portugal, que partiu para Castela a fim de contrair matrimónio com o rei daquela nação, João II de Castela.
A corte não tinha um lugar fixo, variando conforme as circunstâncias. Às vezes residia em Madrigal de Altas Torres, onde viria a nascer a princesa Isabel, a Católica. Outras vezes residia em Tordesilhas. Tudo dependia da necessidade daquele ambiente cortesão, onde imperava uma clima de receios e intrigas.
Era Beatriz da Silva pessoa de deslumbrante beleza. Possuía sangue real e excedia todas as demais do seu tempo, em formosura e gentileza. Isto fez com que a própria Beatriz se desse conta de que a sua rara beleza passara a ser motivo involuntário de constantes rivalidades entre os seus pretendentes. Muitos condes e duques tencionavam pedir a sua mão em casamento. Beatriz refugiava-se e permanecia em silêncio e oração. Diante desta incómoda circunstância, chegou a afirmar que trocaria a sua aparência pela da mulher mais feia do mundo, só para ter sossego.
Pela sua extrema piedade, não tardou que o poder do mal contra ela lançasse seus furores. Boatos maldosos surgiram e colocaram em dúvida a sua virtude, chegando a rainha a duvidar da fidelidade conjugal do Rei, que poderia deixar-se levar pela formosura de Beatriz.
Cega de ciúmes, a rainha, extremamente encolerizada, decidiu investir contra ela de maneira violenta. Um dia, fez-se acompanhar de Beatriz a um sótão escuro e empurrou-a para dentro de um grande cofre, que foi fechado à chave. Dias depois, abriu a arca e, esperando encontrar um cadáver, achou Beatriz viva e de perfeita saúde. Este cofre encontra-se preservado, até hoje, junto ao convento de Santa Clara, em Tordesilhas.
Beatriz, então, decide fugir das intrigas da corte. Dirige-se a Toledo e é aceite no mosteiro de São Domingos. Não abraçou a vida monástica, mas seguiu o mesmo estilo de vida das monjas, durante um período de 30 anos.
Nesta época, Isabel (a Católica), na condição de nova rainha, concedeu-lhe os palácios de Galiana e o Mosteiro de Santa fé. Foi neste mosteiro que Beatriz ingressou com doze religiosas, depois de 30 anos de espera, com o nome de Maria Imaculada, onde fundou a Ordem Contemplativa de Concepção Franciscana (Concepcionistas). A congregação expandiu-se rapidamente tanto na Europa como na América.
O Papa Inocêncio VII foi quem aprovou a Bula, no ano de 1489. Em 1491, a Bula foi levada solenemente da catedral de Toledo até o mosteiro de Santa Fé.
Poucos dias depois, Beatriz caiu gravemente enferma. No leito de morte, recebeu o hábito e pronunciou os votos, como madre Fundadora da Ordem. Ao ungirem a sua fronte, milagrosamente apareceu uma estrela e por este motivo é que, nos quadros e imagens, a figura da Santa é representada com uma estrela na testa. Partiu para a eternidade no dia 17 de Agosto de 1491. Foi declarada Beata por Pio XI em 1926 e canonizada pelo Papa Paulo VI cinquenta anos depois, em 1976.
Santa Beatriz, nas adversidades, procurava o recolhimento e a oração. Não se deixou levar nem pelas honrarias, nem por prazeres, pela por sua extrema beleza. A sua  vida foi de total entrega aos preceitos cristãos, nutridos pelo amor ardentíssimo que tinha pela Santíssima Virgem.
As circunstâncias da nossa geração levam-nos a perguntar hoje: Onde estão os grandes deste mundo fascinados pelo prazer, o ter e o dominar? Estão a perder o seu precioso tempo, eles que julgam que o tempo é «ouro».
Fixem bem o que disse o nosso querido Papa Francisco: “nunca vi nenhuma mortalha fúnebre com bolsos”.




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