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Tempo de Férias…

Por muito que se diga que vivemos num país pequeno, pobre e endividado, temos consciência que não é bem assim. Todos os anos o país parece parar em Agosto, as pessoas gozam o seu merecido período de lazer, de Norte a Sul, aumenta o fluxo de trânsito, as praias e hotéis são destino de milhares de cidadãos, enquanto muitos outros escolhem o interior, as suas terras de origem, o recanto onde nasceram, para convívio com familiares e amigos. É realmente um mês diferente, mesmo quando não abundam por cá os motivos para grandes alegrias. Temos de reflectir seriamente sobre questões sociais, num país envelhecido e onde cada vez mais se fecham escolas e se abrem lares, os sinais abundam embora tardem a ser entendidos.

J. Carlos Queiroz
16 Ago 2013

Em tempo de férias encontramos cidadãos em conversas informais, indignados ou preocupados, mas conscientes dos problemas do país e dos portugueses. O elevado numero de desempregados, a incapacidade de gerar emprego, a falta de investimentos, o rigor orçamental que sempre tende para uma maior austeridade, merecem de cada cidadão comentários, criticas e desabafos, de quem sentindo ou não directamente os efeitos da crise, nutre um sentimento de solidariedade com todos os que vivem momentos difíceis.
Todos sabemos hoje das condições impostas por um memorando que é na prática, o guia político imposto pelos nossos credores, a isso nos levou um despesismo incontrolado, um conjunto de opções, eventos e parcerias, que implicaram endividamentos e agora um consequente cumprir de obrigações num perío-
do em que a economia recessiva mais se faz sentir.
Este cenário pessimista não é já apenas isso, ele corresponde cada vez mais à opinião de reputados economistas, políticos, analistas ou comentadores, e porque traduz a realidade do país, deve também constituir-se como motivação colectiva, como  impulso para desenvolver o nosso orgulho de cidadãos de um país com história, onde sempre foram vencidas crises e desafios, por muito longos e duros que eles fossem.
Reflectir sobre o momento político, mas também sobre os princípios e valores que sempre fizeram parte deste povo, não deixando cair no esquecimento as recordações de um passado e o significado do próprio tempo em cada um de nós. A velha escola, hoje abandonada, esquecida ou mesmo destruída, chama pelo nosso olhar e com ele desperta em nós, a recordação dos momentos ali vividos com professores e companheiros. O comboio que já não passa por ali, os campos abandonados outrora verdes e produtivos, os carros de bois  e as ovelhas, o banco do jardim onde ficaram nossas conversas de adolescentes… as pessoas que fizeram parte da nossa vida que já partiram, enfim referências de um passado, que afinal  representa parte do nosso caminhar na vida e no mundo. Tudo isto é riqueza, é um património valioso de cada um e tem um significado especial, quando encontramos um amigo e com ele conversamos informalmente em tempo de férias.
A política, as mudanças, a crise, tudo isso tem certamente imensa importância, sabemos que os nossos credores vigiam o que por cá se faz ou passa, estão atentos mesmo em tempos de férias, aos juros e à garantia dos seus investimentos, possivelmente já deram instruções para os próximos tempos, mas estamos em férias e mesmo os nossos políticos têm direito a elas, vamos pois continuar a ter o país parado, se possível  em paz e com os portugueses a tentarem sobreviver, apesar  de tudo ainda com uma ténue esperança num futuro melhor. Serenamente vamos olhar para a crise como coisa do passado, imaginando que depois das férias os políticos vão trabalhar e o país vai melhorar. Que a esperança se torne realidade e a estabilidade social seja conseguida para todos nós. Que mesmo em férias os responsáveis políticos não esqueçam aqueles, e são muitos, que vivem sem rendimentos… sem emprego, sem alegria, sem pão, porque, afinal, também eles são portugueses e merecem qualquer coisa, mesmo que seja trabalho em vez de férias.




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