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Feitas as listas…

Foram entregues no tribunal as listas de candidatos às eleições autárquicas de 29 de setembro. Como habitualmente, para a sua elaboração a grande maioria dos cidadãos não foi ouvida nem achada. A esta grande maioria pede-se o voto, e mais nada. Pelos vistos, não faltam candidatos. Quererá isto dizer haver abundância de pessoas dispostas a servirem? Quero crer que sim. Quero crer que o que leva as pessoas a candidatarem-se é o desejo de contribuírem para o bem comum. É a vontade de darem o seu melhor a favor de uma sociedade cada vez mais fraterna, mais solidária, mais justa.

Silva Araújo
15 Ago 2013

Que critérios presidiram à elaboração das listas? Como se procedeu à seleção dos candidatos?
Quero crer que cada lista reúne o elenco de pessoas consideradas as mais válidas e as mais competentes para estarem à frente das autarquias. Que tenham sido escolhidos realmente os melhores.
Suponho não dizer qualquer novidade se afirmar ser necessário credibilizar a política. Não deixando de reconhecer o conjunto de pessoas que, sacrificadamente, se entregam à causa do bem comum, a verdade é que também tem havido quem defraudou as expectativas dos cidadãos eleitores.
É pena haver pessoas muito honestas e muito competentes que se não disponibilizam para a militância política. Precisamos de gente que, com o seu trabalho, contribua para enobrecer cada vez mais esta atividade.
É pena que cristãos que o procuram ser verdadeiramente fujam da política em lugar de nela verem uma forma de concretizar o amor ao próximo e de lutar por uma cada vez melhor justiça social. Como fizeram os verdadeiros pais da Europa.
 Feitas as listas, oficialmente virá o período de campanha eleitoral. Oficialmente virá. A verdade, porém, é que já veio. Num total desrespeito, penso eu, pela legislação em vigor.
Mas admitamos que aquilo a que se tem assistido não é campanha…
 Que o período que se aproxima seja para esclarecer, verdadeiramente, os cidadãos. Que os integrantes das várias listas apresentem, com realismo e com verdade, o que se propõem fazer se forem eleitos e com que meios contam para a concretização dos anunciados projetos.
Que se não prometa o que se sabe não será possível cumprir.
Que, com verdade, se apontem os pontos fracos das propostas dos adversários e que estes não sejam nunca vistos como inimigos.
Que se defendam ou critiquem as propostas, conforme o caso, respeitando sempre as pessoas. Que se não ceda à tentação do ataque pessoal e se respeite a privacidade de todos.
Que a campanha eleitoral não seja mais uma vaga de desperdício, a agravar o período de crise que se vive. Que haja contenção nos gastos. Que se não comprometam dinheiros públicos no que deve ser da estrita competência das contas partidárias.
Também na política deve haver o culto da verdade. Também na política há princípios éticos que devem ser respeitados por todos. O debate político tem regras que por todos devem ser observadas. Que também na política a força da razão se não sobreponha à razão da força.
A política não deve ser uma forma de habilidosamente enganar o próximo, mas um modo de servir a comunidade. E que neste serviço à comunidade não sejam esquecidos os mais desfavorecidos. Que tal serviço não seja manchado pelas nódoas do compadrio ou da corrupção.
No mundo da política serve-se sendo poder e serve-se sendo oposição. Que haja um verdadeiro diálogo entre todos os interessados na busca das melhores soluções para os problemas da comunidade. Que o poder se não deixe dominar pela sobranceria e a oposição não enverede pela condenável e demagógica tática do bota-abaixo. Que entre todos exista um diálogo verdadeiramente construtivo.
E que a comunicação social exerça, de facto, a missão de quarto poder. Que, sem se deixar colar a este ou àquele, mantendo a desejável e possível independência, não deixe de aplaudir o que deve ser aplaudido e de denunciar com fundamento os atropelos lesivos do bem comum, sejam quais forem as pessoas e os partidos que estiverem em causa. Que exerça o múnus de verdadeira guardiã do respeito pelo que deve ser o autêntico interesse nacional.
Não me parece bem que centre a sua atividade no fomento da intriga política.




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