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Egrégios heróis de Amares: Da formação do Reino a Aljubarrota

Faz 628 anos a 14 de Agosto de 2013 que Portugal, nos campos de Aljubarrota, 14/04/1385, passou por uma das suas maiores crises, que levou de vencida com o génio inquebrantável dos seus egrégios heróis, nomeadamente dos Amarenses. Já no início da nacionalidade um grande Amarense se elevou na heroicidade pelo contributo dado para o Portugal que somos, D. Gualdim Pais. Com estátua e praça com o seu nome, no largo mais nobre da sede do concelho, este ínclito Amarense cresceu e foi educado na companhia do primeiro rei de Portugal, D. Afonso Henriques (segundo alguma historiografia).

Domingos de Azevedo
14 Ago 2013

Foi fundador do Castelo e do Convento de Cristo em Tomar e Grão Mestre dos Templários. Esteve em todas as decisões ao lado de D. Afonso Henriques. Alguns autores chamam a este cavaleiro Gualdim Pais de Marecos, por ter nascido na quinta deste nome, origem da actual vila de Amares.
Da mesma têmpera de D. Gualdim Pais se notabilizou um outro Amarense nos feitos heróicos que contribuíram, igualmente, para a consolidação e independência de Portugal, D. Lopo Dias de Azevedo. Conselheiro de D. João I e um dos mais esforçados chefes militares nos campos de Aljubarrota, aqui armado cavaleiro pelo próprio rei. Acompanhou o rei em todas as lides e decisões. De génio intrépido, abandonou todas as terras (que eram muitas) e família para seguir o Mestre de Avis (crónica de D. João I, por Fernão Lopes). Já de idade avançada, com seus filhos, capitaneando uma nau, tomou parte no cerco de Ceuta. Não hesitou em Aljubarrota a combater contra o próprio pai e irmão, que optaram pelo lado Castelhano (o da viúva do rei D. Fernando, a rainha D. Leonor Teles).
O mesmo aconteceu ao Santo Condestável
D. Nuno Alvares Pereira, que enfrentou a oposição tenaz de sua mãe e irmão, D. Pedro Alvares Pereira (Prior do Crato). Defendendo posições opostas, o Santo Condestável pela do Mestre de Avis, e sua mãe e irmão pela da Rainha D. Leonor Teles, levou os irmãos a defrontarem-se em Atoleiros e depois em Aljubarrota, onde o Prior do Crato acabou por morrer.
A Lopo Dias de Azevedo pela sua lealdade e serviços prestados às causas do rei, este, além de o armar Cavaleiro, concedeu-lhe várias possessões e senhorios. De alguns tornou-o senhor donatário de juro e herdade para si e sua descendência. Foi o caso dos senhorios de S. João de Rei e Terras de Bouro (conforme consta da carta de doação do ano de 1426, arquivada na Torre do Tombo, Livro 1.º da Chancelaria do Sr. Rei D. João I, a fls. 197/verso). Além destes senhorios, confirmou-o, também, nos de: Entre Homem e Cávado, Castelo e Terra de Aguiar da Pena, Terras de Jales e Alfarela, Terras de Pereira, Abitureiras, Azoia, Vila Nova de Anços, Santa Leocádia e do Reguengo de Alviéla. Era ainda senhor do Couto de Azevedo, com seus coutos e honras, no julgado de Prado (Lamas, Barcelos) e do Couto de Homiziados da Salvadoura, em Santiago de Goães – inserido no Couto de Bouro – (Solar da Salvadoura, Goães, Amares).
Lopo Dias de Azevedo teve a sua casa sede no Solar de Castro, em Carrazedo, Amares, tal como seus pais, avós e bisavós. [Esta casa foi confiscada por D. Afonso V, bem como o senhorio de Entre Homem e Cávado, ao filho de Lopo Dias de Azevedo – Lopo de Azevedo – e, isto, após a batalha de Alfarrobeira (1449). D. Afonso V fez doação deste senhorio e casa a Pedro Machado, (29/04/1450), cujo filho, Francisco Machado, veio a casar, 04/04/1474, com Joana de Azevedo, trineta de Lopo Dias de Azevedo].
E, como de egrégios heróis Amarenses se fala, refira-se que de Francisco Machado e Joana de Azevedo foi filha (além de outros/as) Briolanja de Azevedo, que casou com o grande herói Renascentista da poesia e das letras (“antes quebrar que torcer…”) Francisco de Sá de Miranda, fundador da Casa da Tapada. Não sendo Amarense, aqui viveu e morreu, onde jaz na igreja de Carrazedo, Amares.
Lopo Dias de Azevedo, além da Casa Solar de Castro, tinha na região a casa Torre Solar de Vasconcelos, em Ferreiros, Amares (que veio à posse dos Azevedos, tal como o senhorio de Entre Homem e Cávado, pelo casamento de seu trisavô, Vasco Pais de Azevedo com Maria Rodrigues de Vasconcelos), a casa da Torre, em Dornelas, Amares, e a casa da Salvadoura (Solar da Salvadoura), em Goães, Amares.
De todas estas possessões e casas só a quinta e casa da Salvadoura se conservam nos seus descendentes e, ainda, usando o apelido – Azevedo [isto, apesar de depredações e saques a que ao longo dos tempos foi sujeita, nomeadamente na 2.ª invasão Francesa (1809) e na Implantação da República (1910).
Este antigo couto de Homiziados – dos que perseguidos pela justiça aqui encontravam asilo – tomou o nome de Salvadoura, dada a exclamação desses perseguidos ao verem-se livres, “… a nossa Salvadoura!…” nome que se fixou na toponímia, desde sempre, para a quinta, casa e lugar – Salvadoura.
Este conceito de Salvadoura levou a que, até meados do século passado, gentes dos arredores aqui viessem só para tocarem nas suas velhas paredes. Afirmavam que, com isso, ficavam salvas – até dos males.
Ainda, de Lopo Dias de Azevedo afirma o insigne genealogista e historiador Anselmo Braacamp Freire que, com ele, se dá início aos Azevedos em Portugal.
Outro insigne genealogista, Felgueiras Gaio, traça a árvore genealógica dos Azevedos – na qual está D. Lopo – como tendo a ascendência no Imperador Carlos Magno.
Mas da ascendência dos Amarenses, dos da casa Torre Solar de Vasconcelos estão, também, os intrépidos heróis e irmãos, Mem Rodrigues de Vasconcelos e Rui Mendes de Vasconcelos. Comandaram em Aljubarrota a ala direita, conhecida como a Ala dos Namorados. Camões imortalizou esta valentia nos Lusíadas, Canto IV – 24:
“Dom Nuno Alvares digo, verdadeiro
Açoute de soberbos Castelhanos,
Como já o fero Huno o foi primeiro
Para Franceses, para Italianos,
Outro também famoso cavaleiro,
Que da ala direita tem dos Lusitanos,
Apto para mandá-los e regê-los,
Mem Rodrigues se diz de Vasconcelos”.
Não é, por isso, sem razão que sobre as gentes do Norte, nas quais os Amarenses estão inseridos, que Elisée Rechus, na sua obra Geographie Universelle, afirma com toda a autoridade de eminente etnógrafo, que “…são os Nortenhos os melhores habitantes de Portugal (…) e tem-se observado que o êxito das revoluções nacionais e a fortuna dos partidos dependem principalmente da atitude tomada pelas enérgicas populações nortenhas”.




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