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Um “provinciano” vai a Lisboa em demanda

1 – “Provinciano” é uma forma de dizer…). Queria aproveitar esta pausa do verão para falar de assuntos mais ligeiros, de episódios pessoais que até têm a sua graça. Vou aqui contar várias idas minhas à capital, para tratar de assuntos próprios (ou nem tanto). E é pena que às vezes, para tratar de assuntos que nada têm a ver com Lisboa, um nortenho (ou um algarvio…), por prudência e maior segurança ache necessário procurar os bons ofícios de uma figura conhecida, que às vezes só o é por morar na capital.

Eduardo Tomás Alves
13 Ago 2013

O reverso da medalha é que muitos lisboetas, só por o serem, olhem com despeito mal disfarçado para os visitantes de fora, os “provincianos”. Ignoram é que em muitas aldeias, vilas e até cidades da dita “província”, a qualidade de vida nada fica atrás da de muitos bairros da grande Lisboa. E sorte temos nós outros de que a capital esteja ainda em Lisboa; no futuro pode ter de ir-se ainda mais longe, para tratar dos nossos assuntos. Oxalá não.
2 – Lisboa, Lisboa…). Eu sou até dos tais que gostam de Lisboa. Tenho lá família. E já lá morei 4 anos, quando estava a estudar. Parte deste tempo foi no Colégio Pio XII, do já falecido rev. padre, arqueólogo e prof. João Aguiar, em Entrecampos (onde tinha residido anos antes D. António Clemente; e onde fui colega de tantos, inclusive do dr. Fernando Seara). Foi em Lisboa que namorei pela 1.ª e 2.ª vezes e me apaixonei. Atravessei até Lisboa a pé em mais de uma ocasião e em sentidos diferentes. Cheguei mesmo a pensar que iria fazer de Lisboa e do misterioso “sul” uma 2.ª casa, mas “a vida” levou-me para destino diferente, em Coimbra. Mas continuei a ir a Lisboa. Porém com o passar dos anos tem sido cada vez menos frequente. Mas quando lá vou sou invadido pelo romantismo, respiro fundo e vou de visita aos lugares da minha memória (e são tantos!). Em 2008 fui lá realizar a escritura de compra de umas courelas na Beira Baixa, não longe da terra do snr. bispo Moiteiro. E acho que esse foi um dos dias mais felizes da minha vida. Desci a pé do Saldanha ao Chiado. Olhava para os residentes e para os turistas, pensando: “que sabeis vós de mim? Mal imaginais que eu sou parte disto, este ar e estas ruas fazem parte da minha vida, do meu passado, são eu próprio; e contudo ao olhar para mim, não o imaginais, nem eu o deixo perceber”.
3 – Quando fui falar com um primo de Miguel Sousa Tavares). Este episódio é engraçado e algo rocambolesco, mas é tal e qual. E é assim. Consoante aqui há anos narrei, a Câmara do Porto decidiu instalar uma ETAR no meio do bairro onde eu e mais de 20 mil pessoas moramos. Hoje a poluição está mais contida, mas em passado recente os cheiros (são vários) eram frequentes e insuportáveis. Depois de procurar sem sucesso resolver o assunto nas Águas do Porto (nessa ocasião fui acompanhado entre outros pelo meu ex-vizinho Vítor Baía), decidi ir a Lisboa falar com o escritor Sousa Tavares. Por quê ele? É simples. Ao tempo vivíamos o pior da ditadura socratista e na altura o alijoense andava obstinado em perseguir os restaurantes (com a ASAE) e os fumadores. Eu nunca fui fumador, mas acho até vexatório que estes sejam obrigados a vir fumar para o meio da rua. O Sousa Tavares tem sido dos mais activos na “resistência” a estas medidas. As quais são tomadas, é óbvio, em nome da “salubridade do ar”. Ora se nos pusermos a comparar a micro-poluição causada por 2 ou 3 fumadores, com o ar de um bairro inteiro, envenenado por 3 ou 4 horas seguidas, quando apeteça aos operadores duma ETAR, a conclusão é fácil. Daí que eu quisesse conhecer o filho da poetisa Sofia. E dando-lhe isto a saber, ele (cuja família materna é aliás portuense) se tornasse nosso “advogado” e ao mesmo tempo adquirisse este novo argumento, digamos “comparativo”, para a sua causa. Não tendo o telefone do próprio, lembrei-me de lhe ser apresentado por um seu primo direito, que foi 2 anos meu colega no liceu D. Manuel II. Era o agora advogado, dr. Gustavo Lencastre Mello Brayner Andresen. Era até nosso colega, repetente o agora locutor Pacheco de Miranda (dos Pachecos do JN, muito amigos das tias do meu pai, embora miúdos que éramos, não o sabíamos). Fui à antiga casa da Granja do Gustavo e lá soube que era advogado em Lisboa. Dois dias depois já partia para lá e a meio da tarde deixei ficar o carro no Poço dos Negros e pus-me a fazer a pé a longa e íngreme subida para o seu escritório ao Chiado. Ia a passar um táxi e entrei. Porém, de tal modo o fiz que rasguei as calças. Tive de comprar outras à pressa, muito apertadas e lá fui eu. Era um prédio antigo mas elegante e lá me apresentei. Mas o Gustavo não se lembrava de mim! Pior foi, quando disse que não me podia apresentar ao primo. Sempre cortês aparte esta absurda atitude, até me deu um cartão, que conservo. E apesar de eu lhe pedir que explicasse a razão, perdeu-se em pouco habilidosas evasivas. Seria arrogância? Estaria zangado com o Miguel? Não acreditou em mim, apesar de eu ter lembrado os colegas
P. Miranda, Alberto Augusto (este é de Santo Tirso) Sottomaior, Alberto Pereira, Gomes de Sá, Aguiar, P. Meireles, Garrido. Até hoje não sei, mas quem perdeu foi o Sousa Tavares que ficou até hoje sem usar o argumento das ETAR ou das celuloses em favor da sua defesa dos fumadores. Bem, por falta de espaço falarei num próximo artigo, das visitas a Hermano Saraiva, Veríssimo Serrão e Gonçalo Ribeiro Teles.




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