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O país anda em sobressalto

O País de reformados que somos e que (mais do que imagina) é, neste momento, o apoio para os filhos desempregados e para os netos que precisam de ajuda, anda em sobressalto com o terrorismo informativo do Governo com constantes ameaças de cortes das pensões de reforma a quem trabalhou uma vida e descontou para ter uma velhice mais tranquila (já o mesmo se não pode dizer daqueles que, por cargos políticos, recebem altas pensões de reforma ao fim de meia dúzia de anos de descontos, pensões essas que são parasitas de quem descontou durante dezenas de anos a fio).

M. Ribeiro Fernandes
11 Ago 2013

E porquê isentar de cortes juízes, militares, diplomatas, reformados da C. G. de Depósitos e as subvenções vitalícias dos políticos (esses injustos privilégios que eles se concederam a si próprios)? É um golpe baixo do Governo atacar apenas aqueles para quem funciona como patrão (e, ainda por cima, fazê-lo de forma retroactiva), deixando sempre de fora os grupos mais poderosos e os privilégios políticos. O povo já não suporta mais ver o ar mefistofélico daquele sujeito que todos os dias aparece com ameaças de cortes de pensões… A intenção do Governo é massacrar, massacrar até que o povo se resigne.

1. É perante este cenário massacrante de ameaças de cortes sem justiça nem critério que a entrevista de Rui Rio à RTP ganha contornos de um alerta e de um apelo nacional. Nela denunciou erros do seu próprio partido e do candidato que escolheu para governar a autarquia do Porto. Mostrou ser um homem lúcido, competente, honesto e frontal, não se deixando corromper nem aliciar, apesar de saber que o partido compensa sempre os que se calam e fazem o que o chefe quer. O insuspeito Paulo Baldaia escreveu, no DN, um artigo a dizer que ficou admirado com a lucidez, competência e isenção do Dr. Rui Rio e que lhe parece o homem indicado para assumir a Presidência do PSD e ser o novo Primeiro-ministro. Tem razão. O País está farto de políticos desta geração, a que alude o Dr. Santana-Maia, que estão ao serviço de si próprios e da clientela que os lá pôs. O País, tal como os partidos políticos, precisa de uma renovação de autenticidade e de competência. O povo não pode continuar a ser maltratado e mal governado como tem sido.
2. Há uns meses atrás, o Dr. Santana-Maia escreveu, no Público, um cáustico artigo sobre as causas remotas da crise de competências que estão a marcar a sociedade portuguesa. Dizia ele que “José Sócrates não foi a causa da nossa desgraça, mas sim o resultado, o produto final gerado por um sistema político e educativo ineficiente, iníquo e corrompido… O novo regime privilegiou sempre o amiguismo e o compadrio. As escolas foram tomadas de assalto pelos alunos mais medíocres, que expulsaram os bons professores e os substituí-ram por sujeitos com o 5.º ou 7.º ano dos liceus, porque o objectivo deles era nivelar tudo por baixo. E é assim que instituições de poder, como sindicatos ou partidos políticos, foram parar às mãos de gente medíocre e comprometida com os grupos que os lá puseram, em vez de se privilegiar o mérito e a competência…”. Se há alguém que não concorde com isto, que se levante e que o desdiga.

3. Já aqui escrevi que, na última crise, o PSD que está no poder fez de Portas o bode expiatório de culpas que ele não teve. Depois de repetirem centenas de vezes essa acusação, utilizaram uma sondagem para tentar confirmar que o povo tinha assumido o que lhe tinham dito, transferindo para o povo essa acusação. Isto é, essa sondagem veio demonstrar a estratégia usada: primeiro, puseram a comunicação social a repetir a mensagem que se pretendia fazer passar; depois, fez-se uma sondagem para ver se o povo era capaz de repetir aquilo que já tinha ouvido; e, finalmente, apresentaram os resultados dessa sondagem como sendo a assumir essa acusação, quando afinal o que o povo disse na sondagem foi aquilo que lhe tinham dito através da comunicação social. Isto mostra duas coisas: a subserviência da comunicação social e a manipulação da ingenuidade crítica do povo. Neste contexto, compreende-se o desabafo de Helena Sacadura Cabral, mãe de Paulo Portas, quando disse, há dias, ao “Diário Económico”: “o que o meu filho sofreu desde Setembro até agora só ele e eu sabemos…“.
Apesar de toda esta montagem, Portas fez bem em calar-se e não se defender. O tempo se encarregará de o fazer por ele. E, quando os factos falarem por si, nem precisará de dizer mais nada em sua defesa.




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